Por Francisco Xavier Gomes

CACOAL: AS CAMPANHAS, AS PESQUISAS E OS CONTRATANTES…
A Seleção Brasileira entra em campo, nesta segunda-feira, com a missão de vencer o time japonês e seguir na principal competição de futebol do planeta. É claro que, mais uma vez, estaremos na torcida por uma vitória de nossos atletas. Não há nenhuma dúvida de que a Copa do Mundo mobiliza os torcedores no mundo inteiro, e o Brasil tem motivos para viver momentos de muita energia positiva, já que nenhuma outra nação teve, até hoje, o mesmo número de taças conquistadas pelo nosso país. Uma vitória neste início de semana certamente vai criar um clima muito positivo, e a permanência do time brasileiro na competição vai adiar, por uns dias, o contato dos brasileiros com a vida real, já que este ano teremos as eleições gerais. A realização da Copa do Mundo ofuscou um pouco o clima de agitação política no país inteiro, e Rondônia não é exceção. Isto não significa, porém, que os partidos políticos ou pré-candidatos estejam parados. Muitos deles seguem a maratona por diversos municípios do interior do estado, em busca de aliados e cabos eleitorais. Como as convenções partidárias estão próximas, não dá para deixar tudo de lado e ver a copa, mesmo porque políticos não estão preocupados com jogos de futebol, a preocupação deles é por votos…
E, nesse clima de Copa do Mundo, recentemente surgiu mais uma daquelas pesquisas que ninguém sabe para que servem, mas que são compartilhadas exaustivamente por aliados dos políticos cujos nomes aparecem no topo da lista. Desta vez, a pesquisa divulgada traz uma lista com possíveis candidatos à Câmara Federal e teria sido contratada por um dono de site da capital. Ora, minha gente! Como é que alguém pode dar crédito a esse tipo de lambança? Por que um dono de site teria interesse em saber quem pode ou não ser eleito para a Câmara dos Deputados? É lógico que não se trata de uma pesquisa séria! Aliás, é uma pena que a estrutura da Justiça Eleitoral do Brasil não tenha os mecanismos para investigar esse tipo de absurdo. Mas é uma coisa que precisa ser avaliada com mais seriedade pelos legisladores. O fato de um documento fajuto ser registrado na Justiça Eleitoral não significa que tenha verdades numéricas. Mas o Ministério Público Eleitoral bem que poderia fazer uma investigação e saber quem são essas pessoas que aparecem como contratantes de pesquisas em Rondônia. O cinismo é tanto que os responsáveis ainda têm a cara de pau de escrever que o “nível de confiança” é de 95%. Quanta cara de pau!!!
Uma pesquisa com alguma credibilidade no estado poderia ser contratada, por exemplo, pela FIERO, pela FACER, pela Fecomércio. Essas entidades, sim, podem ter grande interesse em saber quem são os políticos com chances de vencer as eleições, porque estão ligadas à geração de empregos, à economia do estado, ao crescimento de Rondônia. Elas possuem envergadura para discutir os destinos políticos e administrativos do estado. Mas imaginar que um dono de site contrata uma pesquisa para saber quem tem a preferência do eleitor para cargos como senador, deputado federal, governador é pura brincadeira de péssimo gosto. Com relação à FIERO, à FACER ou Fecomércio, entidades que merecem respeito pela história e pela finalidade, é pouco provável que tenham interesse em mandar fazer pesquisas nesse momento, por razões muito lógicas. Uma pesquisa eleitoral custa muito caro e certamente não há razões plausíveis para que entidades sérias contratem pesquisa nesse momento em que não existe sequer a definição oficial dos eventuais candidatos. Claro que os empresários de Rondônia, através de suas entidades representativas, vão fazer pesquisas, mas é pouco provável que eles tenham interesse em divulgar os resultados para o grande público. E talvez até tenham esse interesse, mas isto não seria no momento de pré-campanha.
Em nível nacional, as coisas são mais claras, porque a elite financeira do país tem enorme interesse em saber quem pode vencer as eleições no Brasil. É justamente por isso que são realizadas pesquisas periódicas contratadas por grandes grupos empresariais, como é o caso das instituições bancárias localizadas no coração econômico de São Paulo. No caso das pesquisas para a presidência da república, os institutos de maior credibilidade e que possuem profissionais respeitados cobram valores significativos. Alguns especialistas afirmam que uma pesquisa confiável, em nível nacional, pode custar algo em torno de 500 mil reais. Mas o trabalho é de qualidade. Um exemplo desse grau de profissionalismo é o instituto CNT/MDA, que praticamente cravou o resultado da eleição presidencial em 2022. Como as instituições financeiras do país têm grande interesse no resultado das eleições, o valor se justifica. Alguns institutos cobram valores que ficam na média de 100 mil reais, mas a forma de realização das pesquisas é diferente. Trazendo essa realidade para o estado, imaginemos que uma pesquisa custe 20% do valor cobrado pelos institutos nacionais. Será que um dono de site estaria disposto a pagar 100 mil reais apenas para saber quais nomes a deputados federais têm a preferência do eleitor rondoniense? É evidente que não!
Sendo assim, é necessário esclarecer que a intenção da coluna não é contestar os números apresentados nas pesquisas realizadas em Rondônia, mesmo porque esses números dificilmente são verdadeiros. Mas é preciso que façamos uma reflexão sobre os mecanismos usados para contratar pesquisas, porque não dá para acreditar que trabalhadores comuns, que lutam todos os dias para sobreviver, ganhando baixos salários, teriam interesse ou condições financeiras para contratar pesquisas. Todavia, enquanto esperamos que o Ministério Público Eleitoral procure investigar esses absurdos, seguimos na torcida pela Seleção Brasileira… Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado













