Coluna do Xavier – CACOAL: AS RODOVIAS, OS PEDÁGIOS E A DUPLICAÇÃO…

O ano em curso é um ano em que ocorrem eleições. Este ano, vários políticos rondonienses que pretendem disputar alguma vaga, ou manter as que ocupam, costumam tratar de vários temas. Entre eles, a descoberta da roda; a existência de água em Marte; o enriquecimento da população com venda de nióbio; a possibilidade de recarregar a bateria dos vaga-lumes; de fazer o Oceano Atlântico despejar no Rio Madeira; a construção de uma ferrovia ligando Guajará-Mirim ao Mato Grosso; a ponte Brasil/Bolívia; a duplicação da BR-364 e outros “projetos” que, segundo eles, irão colocar Rondônia no “caminho do desenvolvimento”. Qual a novidade nisso? Absolutamente nenhuma! Além disso, o eleitor rondoniense adora esses temas e idolatra políticos com esse perfil. Desde que Jorge Teixeira deixou o mandato, a duplicação da Três Meia Quatro já elegeu incontáveis políticos para os mais diversos cargos. A julgar pelos discursos desta pré-campanha, a cantilena tende a ganhar força…

O problema, nessa história, é que o eleitor é muito desatento e reclama de todos os políticos, apenas quando não há eleições. No momento de discutir com seriedade, poucas pessoas participam dos debates. Para citar apenas três exemplos bem conhecidos da população de Cacoal, há mais de 10 anos, vários políticos prometem a reforma da rodoviária e certamente não será diferente este ano. A história da construção do Hospital Municipal da Capital do Café segue o exemplo. E a Rodovia do Café, importante via para o escoamento da produção agrícola de Cacoal e Espigão do Oeste, não recebe manutenção há anos. Como é que alguém acredita que esses mesmos políticos vão duplicar uma rodovia federal em 80 dias? E não podemos esquecer da construção das pontes do Rio Machado e Pirara, em Cacoal. Se esses mesmos políticos não resolveram o problema de uma ponte de 10 metros, como que vão duplicar uma rodovia com a extensão da BR-364? O Hospital HEURO, de Cacoal, que atende milhares pessoas oriundas de dezenas de municípios da região, não tem sequer os aparelhos de ar-condicionado funcionando. Os pacientes internados sofrem com o calor, que neste período amazônico é intenso…

Não se descarta a possibilidade de serem construídos pontos de pedágios na rodovia 364 e isso é algo que interessa aos políticos, principalmente aqueles que pensam em colocar empresas para explorar o serviço, por ser algo lucrativo para as empresas. Todavia, é preciso lembrar que parte significativa do asfalto dessa rodovia ainda é do tempo que João Figueiredo estava no cargo. Depois disso, existem apenas aqueles paliativos em que máquinas cavam pequenos quadrados de dois ou três metros e colocam novo asfalto. Detalhe: na maioria das vezes, o novo asfalto acaba muito antes daqueles que o general colocou. E não pense o leitor que a intensão é bajular os generais, porque tenho total aversão aos generais da ditadura e todos os generais que ocupam cargos políticos atualmente. Mas isto não me impede de reconhecer que foi na década de 80 a pavimentação da principal rodovia do estado. Aliás, na minha avaliação, três presidentes da Republica Velha precisam ser reconhecidos pelo legado que deixaram ao nosso estado: Getúlio Vargas, JK e Figueiredo, pela criação do Território Federal do Guaporé; pela criação do Território Federal de Rondônia e a abertura da BR-029; e pela pavimentação da atual 364, respectivamente, fatos que costumo falar com meus alunos em aulas de História de Rondônia…

Claro que o cordão de bajuladores dos políticos que fazem promessas vazias, há décadas, fará beicinho para os questionamentos que faço aqui, mesmo porque muitos deles estão pendurados em sinecuras ou prebendas da turma que tenta se manter. Em Cacoal, há enésimos casos e, com certeza, nos demais 51 municípios de Rondônia. Para essa gente, não existe nenhum problema na construção de pedágios, ainda que sejam para explorar os contribuintes que trafegam numa das piores rodovias do país, em termos de manutenção. Essa turma está muito mais preocupada com seus holerites e não tem nenhum interesse pela alteridade ou empatia, sentimentos completamente estranhos para quem tem predileção por sinecuras ou prebendas…

E para finalizar, é necessário citar mais um fato que não pode ser ignorado, diante da promessa de duplicação da BR – 364. O vereador de Cacoal, Zivan Almeida, buscou políticos da esfera federal para tentar resolver um problema que merece a atenção de quem respeita a população cacoalense. Ele pediu que fosse construída uma rotatória, ou algo semelhante, na saída de Cacoal para Pimenta Bueno, visto que há, no setor, a entrada e saída de um dos bairros da cidade. Muitos acidentes gravíssimos acontecem ali. O edil fez tudo direitinho! Colocou no papel, encaminhou para as autoridades pertinentes, fez vários telefonemas e segue acompanhando os fatos. Até hoje, não começou nenhuma obra, mas como se trata de uma excelente inciativa do vereador, espera-se que ele seja atendido. No caso da duplicação da rodovia, tudo está no plano do papo-tijolo, até hoje. Aliás, se os políticos que prometem a duplicação da rodovia fossem multados pelas vezes que trataram disso, em vésperas de períodos eleitorais, o erário estaria transbordando com a mesma força que transbordam os rios Pirarara e Machado, todos os anos, vitimando milhares de famílias que esperam muito menos do que a duplicação da Três Meia Quatro… Tenho dito!!!

 FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor da Rede Estadual e Jornalista

 

 

 

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