Pular para o conteúdo

Coluna ESPAÇO ABERTO – 2026 não é 2022: sem Marcos Rocha no caminho, para onde irão os votos que derrotaram Marcos Rogério?

7 minutos de leitura

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

ESTE ANO
A eleição para o Governo de Rondônia em 2026 tem uma particularidade que merece ser analisada com atenção: Marcos Rogério chega novamente à disputa mantendo uma identidade política bastante definida, enquanto seus adversários terão o desafio de descobrir qual será a melhor estratégia para enfrentá-lo — inclusive na hipótese de um segundo turno.

Foto: Redes Sociais / G1

PASSADO
Para compreender o tamanho dessa questão, é necessário voltar a 2022. Naquela eleição, Rondônia protagonizou uma situação política bastante peculiar.

BOLSONARISTAS
Marcos Rocha e Marcos Rogério chegaram ao segundo turno defendendo Jair Bolsonaro e disputando praticamente o mesmo eleitorado conservador.

Foto: Redes Sociais / G1 

BOLSONARISTAS 2
No primeiro turno, Rocha obteve 38,88% dos votos válidos e Rogério, 37,05%. A diferença entre os dois era pequena.

FORA DO NICHO
O problema para Rogério apareceu justamente quando a eleição deixou de ser apenas uma disputa dentro da direita.

ESQUERDISTAS
No segundo turno, Marcos Rocha conseguiu ampliar sua base. Lideranças que haviam apoiado outros candidatos passaram para o seu lado, enquanto setores que dificilmente votariam em Marcos Rogério acabaram enxergando no governador a alternativa possível naquele momento.

OPÇÃO
Foi uma situação eleitoral quase paradoxal: dois candidatos ligados a Bolsonaro disputavam o Governo, mas eleitores de centro, centro-esquerda e esquerda precisavam escolher entre eles.

OPÇÃO 2
E boa parte desse eleitorado acabou escolhendo Rocha. O resultado mostrou a importância dessa movimentação.

NÚMEROS 
Marcos Rocha venceu com 52,47%, contra 47,53% de Marcos Rogério — diferença de pouco mais de 43 mil votos.

LÍDER ABSOLUTO
Ao mesmo tempo, Bolsonaro venceu a eleição presidencial em Rondônia com impressionantes 70,67%.

Foto: Reprodução / Redes Sociais 

REJEITADO?
Portanto, seria simplista interpretar a derrota de Marcos Rogério em 2022 como uma rejeição da maioria do eleitorado rondoniense à direita ou ao bolsonarismo. Os números da eleição presidencial mostram exatamente o contrário.

APOIO
A questão foi outra. Marcos Rocha conseguiu construir, no segundo turno, uma espécie de frente eleitoral circunstancial.

ALTERNATIVA
Continuou falando com o eleitor conservador, mas tornou-se também a opção de quem, mesmo estando ideologicamente distante dele, desejava impedir a vitória de Marcos Rogério.

IDENTIDADE
E é exatamente aí que 2026 começa a ficar interessante. Rogério continua sendo Rogério.

Foto: Reprodução / Redes Sociais 

IDENTIDADE 2
Quatro anos depois, Marcos Rogério não parece disposto a diluir sua identidade para conquistar o centro político.

IDENTIDADE 3
Continua no PL, permanece associado ao campo bolsonarista e se apresenta como representante de uma direita claramente identificada com esse eleitorado.

BRASIL
A disputa nacional também continua produzindo reflexos estaduais, e o PL mantém sua estratégia de construir palanques vinculados ao bolsonarismo nos estados.

FIEL
Isso pode representar força e, simultaneamente, estabelecer o grande desafio de sua candidatura. A força está na fidelidade.

POSICIONADO
O eleitor sabe onde Marcos Rogério está politicamente. Não existe grande dificuldade para identificar suas posições, seu campo ideológico ou o grupo nacional ao qual está associado.

OBSERVAÇÃO
Em política eleitoral, identidade definida tem valor. Principalmente em Rondônia. Mas existe uma segunda pergunta: até onde essa identidade será suficiente caso a eleição vá novamente para o segundo turno?

OBSERVAÇÃO 2
Porque é nesse momento que entra a principal diferença entre 2022 e 2026. Desta vez não existe Marcos Rocha.

FACILIDADE
Em 2022, o eleitor de esquerda ou centro-esquerda contrário a Marcos Rogério encontrou uma saída relativamente simples: votar em Marcos Rocha.

CIRCUNSTÂNCIA
Não significava necessariamente adesão ao projeto político do governador. Para uma parcela daquele eleitorado, tratava-se muito mais de uma escolha circunstancial entre as duas opções disponíveis.

ALTERNATIVA
Agora o cenário  mudou. Marcos Rocha não está disputando a reeleição. E, portanto, não existe automaticamente aquele mesmo candidato capaz de permanecer competitivo entre os conservadores e, ao mesmo tempo, receber no segundo turno votos vindos de setores ideologicamente muito diferentes.

ANÁLISE
Essa ausência pode ser uma das variáveis mais importantes da eleição rondoniense.

ANÁLISE 2
A esquerda terá suas alternativas e articulações próprias, mas Rondônia continua apresentando um perfil eleitoral fortemente conservador.

ANÁLISE 3
A questão decisiva será observar o comportamento desse eleitor caso seu candidato preferencial não esteja no segundo turno. E isso vale igualmente para o centro.

ESCOLHA
Quem conseguirá receber o voto anti-Rogério? Talvez esta seja uma das perguntas centrais da campanha.

ESCOLHA 2
Se Marcos Rogério chegar ao segundo turno — cenário considerado plausível nas análises atuais sobre a disputa — seu adversário precisará decidir que eleição deseja fazer.

ESCOLHA 3
Tentará disputar com Rogério quem é mais de direita? Tentará ocupar o centro? Buscará apoio explícito da esquerda?

CONVENIÊNCIA
Ou procurará reproduzir, guardadas todas as diferenças, a estratégia que beneficiou Marcos Rocha em 2022: manter diálogo com o eleitor conservador sem fechar a porta para votos de centro e de esquerda?

RISCO
Não será uma equação simples. Aproximar-se excessivamente da esquerda pode custar votos em um estado onde o conservadorismo possui enorme força eleitoral.

CONSOLIDADO
Por outro lado, tentar competir com Marcos Rogério exclusivamente dentro do campo bolsonarista significa enfrentar justamente um candidato que construiu sua identidade política nesse território.

DESTREZA
É aí que os adversários terão que demonstrar habilidade. A esquerda também terá uma decisão difícil.

PRA ONDE IR?
Existe ainda outro componente. Se a esquerda não chegar ao segundo turno, para onde irão seus votos?

NOME
Em 2022, havia Marcos Rocha. Em 2026, a decisão dependerá fundamentalmente de quem estiver enfrentando Marcos Rogério.

ALTERNATIVAS
O voto poderá migrar em bloco? Haverá apoio formal? O eleitor seguirá as orientações partidárias?

ALTERNATIVAS 2
Ou parte desse segmento simplesmente se afastará da disputa, votando branco, nulo ou deixando de comparecer? Não há resposta pronta.

IMPORTÂNCIA
Aliás, análises recentes sobre Rondônia já chamam atenção justamente para a possibilidade de eleitores moderados e de esquerda exercerem papel decisivo em eventual segundo turno.

PODER DE DECISÃO
Isso cria uma situação curiosa: num dos estados mais conservadores do país, uma eleição entre candidatos predominantemente de direita poderá novamente ser decidida por eleitores que não pertencem à direita.

DÚVIDA
Foi, em alguma medida, o que aconteceu em 2022. Poderá acontecer novamente ? Talvez, mas não necessariamente da mesma maneira.

CURRÍCULO
Marcos Rogério possui uma vantagem política importante: não precisa explicar ao eleitor quem é. Sua identidade está consolidada. Seus adversários precisarão construir as próprias.

DENOREX
E provavelmente cometerá um erro quem imaginar que será possível derrotá-lo simplesmente tentando parecer mais bolsonarista do que ele.

PERIGO
Da mesma forma, poderá enfrentar dificuldades quem imaginar que basta reunir automaticamente todos os votos contrários ao PL. Eleição não funciona por transferência matemática.

SOLIDEZ
O desafio será construir uma candidatura suficientemente conservadora para conversar com o perfil majoritário do eleitorado rondoniense e, ao mesmo tempo, suficientemente ampla para receber votos daqueles que, num eventual segundo turno, terão como prioridade impedir uma vitória de Marcos Rogério.

PERGUNTA
Marcos Rocha conseguiu fazer isso em 2022. A pergunta de 2026 é: quem conseguirá fazer agora?

IDENTIFICAÇÃO
Porque Rogério permanece praticamente no mesmo lugar político onde estava quatro anos atrás. Continua identificado com a direita, com o PL e com o bolsonarismo.

ESTRATÉGIA
Quem precisa encontrar um novo caminho são seus adversários. E talvez a grande batalha desta eleição não seja convencer o eleitor sobre quem Marcos Rogério representa. Isso já está bastante claro.

ESTRATÉGIA 2
A verdadeira disputa será para descobrir quem conseguirá representar todos os demais quando chegar a hora da decisão.

FRASE
Na política, coerência vale tanto quanto discurso: o eleitor observa quem permanece fiel ao que sempre defendeu.

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *