Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.
DEMOCRACIA
É perfeitamente legítimo não votar em Luciana Oliveira. É legítimo discordar do PT, do presidente Lula, das propostas da candidata e de praticamente tudo aquilo que ela defende.

DEMOCRACIA 2
Democracia é exatamente isso: liberdade para escolher, apoiar, rejeitar e confrontar ideias.
ÓDIO
O que não pode ser tratado como normal é transformar divergência política em hostilidade, intimidação, agressividade ou ameaça.
DENUNCIOU
A candidata ao Senado Luciana Oliveira, do PT, expôs nas redes sociais situações de hostilidade que afirma estar enfrentando durante suas andanças pelo interior de Rondônia.

DETALHE
O relato merece atenção não porque Luciana seja candidata do PT, mas porque qualquer candidato, de qualquer partido, tem o direito de percorrer o estado, apresentar suas ideias e pedir votos sem ser intimidado.
OUTRA VEZ
Aliás, o problema não começou agora. Em agosto, Luciana já havia relatado publicamente ter recebido ameaça de morte pelas redes sociais.
AMEAÇA
Segundo a candidata, a mensagem dizia: “você vai morrer, está avisada”. O episódio foi relatado em entrevista e repercutido pela imprensa rondoniense. Isso ultrapassa qualquer limite aceitável da disputa eleitoral.
ESCOLHA
Uma coisa é alguém dizer: “não voto em você”. Outra é questionar propostas, cobrar explicações, contestar posições ideológicas ou criticar o partido ao qual a candidata pertence.
CONSTRANGIMENTO
Tudo isso faz parte do jogo democrático. Outra coisa completamente diferente é tentar constranger alguém pela força da hostilidade.
POLÍTICA NÃO PODE SER INTIMIDAÇÃO
E esse princípio precisa valer para todos. Se amanhã o alvo for um candidato do PL, do PSD, do PP, do Republicanos, do PDT ou de qualquer outra legenda, a posição precisa ser exatamente a mesma.
SEM PREFERÊNCIA
Não existe violência política aceitável porque o alvo está do outro lado da nossa preferência ideológica.
PERDA
O Brasil já perdeu tempo demais confundindo adversário com inimigo. Luciana é uma candidata identificada claramente com a esquerda e com o presidente Lula.
IDEOLOGIA
Isso naturalmente desperta rejeição em parcelas do eleitorado rondoniense, assim como candidatos identificados com a direita enfrentam forte rejeição em outros segmentos. Faz parte da política.
VOTO
Rejeição eleitoral, entretanto, se manifesta na urna. Não no grito. Não na ameaça. Não na tentativa de impedir alguém de circular. Não na criação de um ambiente de medo. E muito menos na violência.
LEVANTAMENTOS
As pesquisas também permitem colocar a discussão eleitoral em perspectiva sem necessidade de transformar divergência em guerra.
LEVANTAMENTOS 2
No levantamento Veritá divulgado em 12 de setembro, Luciana apareceu com 6,7% das intenções de voto para o Senado. A pesquisa ouviu 1.220 eleitores entre 7 e 12 de setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrada no TSE sob o número RO-01935/2026.

LEVANTAMENTOS 3
Outro levantamento, do Instituto Phoenix, divulgado em setembro, registrou Luciana com 3,5%.São fotografias de momentos específicos da campanha, não sentenças sobre o resultado das urnas. E justamente aí está o ponto central.
VEREDITO
Será o voto que determinará seu tamanho eleitoral. Não cabe a grupos, militantes ou indivíduos tentar substituir a urna pela intimidação.
VEREDITO 2
Quem discorda dela tem instrumentos muito mais poderosos e civilizados: pode questioná-la, confrontar suas propostas, cobrar explicações sobre o PT, sobre Lula, sobre suas posições e sobre aquilo que pretende fazer no Senado. Isso é democracia.
DESCONEXO
Hostilidade e ameaça são outra coisa. Também é preciso abandonar essa ideia infantil de que política exige odiar quem pensa diferente.
REALIDADE
Rondônia tem problemas grandes demais para gastar energia transformando campanha eleitoral em ringue ideológico.
REALIDADE 2
Temos BR-364, pedágio, saúde pública, desenvolvimento econômico, geração de empregos, infraestrutura, educação, segurança e dezenas de questões que merecem um debate sério.
IDEIAS
Que Luciana explique suas propostas. Que seus adversários expliquem as deles. Que sejam cobrados. Que sejam confrontados. Que os erros sejam expostos. É assim que funciona uma democracia adulta.
NORMALIZAÇÃO
O que não podemos aceitar é a naturalização da agressividade política apenas porque determinada pessoa veste uma camisa partidária diferente da nossa. Hoje é Luciana. Amanhã pode ser qualquer outro candidato.
INTOLERÂNCIA
Quando a sociedade começa a achar normal hostilizar quem pensa diferente, a política deixa de ser disputa de ideias e começa a se aproximar perigosamente da intolerância.
OPINIÃO
Ninguém é obrigado a gostar de Luciana Oliveira. Ninguém é obrigado a votar nela. Mas todos são obrigados a respeitar seu direito de fazer campanha.
OPINIÃO 2
A urna existe exatamente para que ninguém precise recorrer ao ódio para derrotar uma ideia. Quem discorda, argumenta. Quem rejeita, vota em outro.
FRASE
Democracia não exige concordância. Exige limites. E violência, ameaça e intimidação estão fora deles.

