Pular para o conteúdo

Coluna ESPAÇO ABERTO – Menos inadimplência, mais negociação: o consumidor começa a respirar em Rondônia

8 minutos de leitura

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

MELHORANDO
Há sinais de melhora no comportamento financeiro das famílias de Rondônia. Ainda não é possível falar em uma virada completa no cenário do endividamento, muito menos em uma situação confortável, mas os números mais recentes apontam para um movimento que merece atenção.

Foto: Reprodução / Redes Sociais

MELHORANDO 2
A inadimplência começa a perder força enquanto cresce a disposição do consumidor para negociar e reorganizar suas contas.

DIMINUIU
Em Porto Velho, por exemplo, o percentual de famílias endividadas recuou em junho. A inadimplência ficou em 29,9%, praticamente estável em relação ao mês anterior, mas ainda acima do registrado no mesmo período do ano passado. Ou seja: há melhora em alguns indicadores, mas o problema continua expressivo.

Foto: Reprodução / Redes Sociais 

EXPLICAÇÃO
Essa aparente contradição — menos endividamento de um lado e inadimplência ainda elevada de outro — ajuda a explicar o momento econômico vivido pelas famílias.

POSTURA
O consumidor está mudando de comportamento. Mais do que simplesmente deixar de dever, uma parcela dos consumidores parece estar tentando resolver o problema. E isso é importante.

EXTREMOS
Existe uma diferença enorme entre uma pessoa que simplesmente não consegue pagar e outra que, mesmo endividada, procura uma alternativa para renegociar, reduzir juros, alongar prazos e recuperar o controle do orçamento.

VIÁVEL
O avanço das negociações mostra justamente esse segundo comportamento. No Brasil, os dados da Serasa continuam apontando para um quadro pesado: em julho de 2026, eram 83,9 milhões de consumidores inadimplentes, equivalentes a 51% da população adulta.

Foto: Redes Sociais / Serasa

CAUTELA
Portanto, seria precipitado comemorar o fim da crise do endividamento. O que existe é algo mais sutil — e talvez mais importante: uma mudança gradual na relação do consumidor com a própria dívida.

PLANEJAMENTO
Negociar virou uma estratégia, não uma vergonha. Durante muito tempo, estar com o nome negativado era tratado quase como uma sentença financeira. Hoje, a realidade é diferente.

OPÇÕES
Bancos, empresas de energia, companhias de água, lojas, financeiras e o próprio poder público passaram a oferecer mecanismos cada vez mais acessíveis de renegociação.

Foto: Redes Sociais / Energisa 

CREDORES
A lógica também mudou. Para o credor, receber uma parte de uma dívida é melhor do que manter um débito que provavelmente continuará crescendo.

NOME LIMPO
Para o consumidor, um desconto significativo nos juros e uma parcela que caiba no orçamento podem representar a diferença entre permanecer inadimplente e voltar ao mercado de crédito.

NOME LIMPO 2
A própria Serasa mantém programas de negociação envolvendo bancos, financeiras, varejistas e até serviços essenciais, dependendo das empresas participantes.

NOME LIMPO 3
Isso ajuda a explicar por que a renegociação passou a fazer parte do cotidiano financeiro de milhões de brasileiros.

CAPITAL
No âmbito municipal, Porto Velho também criou uma oportunidade relevante para quem possui débitos com o poder público.

CAPITAL 2
O Refis 2026 voltou a permitir a regularização de dívidas municipais depois de um período sem programas dessa natureza.

Foto: Reprodução / Redes Sociais 

ATÉ ZERO JUROS
A iniciativa contempla débitos como IPTU e outros créditos municipais, com descontos que podem chegar a 100% sobre multas e juros, além da possibilidade de parcelamento em até 36 vezes, conforme as condições previstas.

AMBOS
É uma medida que interessa tanto ao cidadão quanto ao próprio município. Para o contribuinte, significa a possibilidade de retirar uma dívida do caminho, evitar consequências administrativas e recuperar sua regularidade.

AMBOS 2
Para a prefeitura, significa transformar créditos de difícil recebimento em receita efetivamente arrecadada. É uma relação em que, quando bem estruturada, os dois lados podem ganhar.

AMPLITUDE
Outro aspecto interessante é que a negociação deixou de se concentrar apenas em bancos e cartões de crédito.

AMPLITUDE 2
Contas de energia, água e outros serviços essenciais também passaram a fazer parte desse movimento.

NOSSO ESTADO
Em Rondônia, houve inclusive iniciativa envolvendo o Judiciário e a Caerd para estimular a solução negociada de débitos.

Foto: Redes Sociais / Caerd 

PASSOU DE MIL
O mutirão realizado em Porto Velho contou com 1.188 audiências pré-processuais inicialmente programadas. A Energisa também disponibiliza canais específicos para negociação de débitos, inclusive por meios digitais.

MENOS GASTO
Isso demonstra que a sociedade está tentando encontrar uma saída menos onerosa para um problema que, quando judicializado, costuma ficar mais caro e demorado para todos.

OBSERVAÇÃO
Mas existe uma diferença entre endividamento e inadimplência. Esse talvez seja o ponto que mais precisa ser compreendido. Estar endividado não significa necessariamente estar inadimplente.

OBSERVAÇÃO 2
Uma família pode ter financiamento de veículo, parcelas de cartão de crédito, empréstimo ou financiamento imobiliário e pagar tudo em dia.

OBSERVAÇÃO 3
O problema surge quando a renda deixa de ser suficiente para honrar os compromissos assumidos.

OBSERVAÇÃO 4
Os dados nacionais da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor mostram justamente essa complexidade.

NÚMEROS
Em junho, 81,6% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida, enquanto a inadimplência permaneceu em 29,9%. Ao mesmo tempo, aumentou de 33,3% para 34,2% a parcela das famílias que se consideravam pouco endividadas.

COMPROMETIMENTO DA RENDA
É um detalhe aparentemente pequeno, mas economicamente significativo. O problema não é apenas quanto as pessoas devem. É quanto da renda está comprometido para pagar o que devem.

OTIMISTA
Outro sinal positivo observado nos indicadores nacionais é a redução do comprometimento da renda das famílias. Isso pode acontecer por diferentes razões: renegociação de contratos, alongamento de prazos, aumento da renda, redução de algumas despesas ou simplesmente uma maior disciplina financeira.

VANTAJOSO
Quando uma família consegue trocar uma dívida cara por uma parcela menor e previsível, ela não necessariamente fica menos endividada imediatamente. Mas passa a ter mais capacidade de pagamento. E é exatamente aí que começa a recuperação financeira.

ALERTA
A renegociação é positiva quando serve para reorganizar a vida financeira. Mas pode se transformar em um círculo vicioso quando apenas troca uma dívida antiga por uma nova sem atacar a causa do problema.

EXEMPLO
É o conhecido fenômeno de pagar cartão de crédito com empréstimo, depois recorrer ao cheque especial e, posteriormente, fazer outro financiamento para cobrir os anteriores.

RETARDO
Nesse caso, a negociação apenas adia o problema. Por isso, limpar o nome é importante, mas mais importante ainda é não voltar a sujá-lo.

REFLEXO
Quando uma família deixa de ter o orçamento completamente comprometido com dívidas, o dinheiro começa a circular novamente.

CRÉDITO REABILITADO
A pessoa que conseguiu reduzir uma parcela pode voltar a consumir. Pode comprar no comércio local. Pode trocar um eletrodoméstico. Pode fazer uma pequena reforma. Pode frequentar um restaurante. Pode abastecer o carro. Pode voltar a planejar.

RESULTADOS
É assim que a recuperação financeira individual começa a produzir efeitos coletivos. Uma família menos pressionada financeiramente representa, em alguma medida, um consumidor mais ativo.

RESULTADOS 2
E milhares de consumidores nessa situação podem fazer diferença para o comércio e para a economia regional.

EUFORIA
Mas é preciso manter os pés no chão. Os números nacionais mostram que o Brasil continua enfrentando um cenário bastante delicado. A Serasa registrou 83,9 milhões de inadimplentes em julho, enquanto a CNC apontou níveis elevados de endividamento das famílias.

FATO
Portanto, o que se observa não é o desaparecimento do problema. É uma melhora relativa dentro de um cenário ainda difícil.

VIGILÂNCIA
Em Rondônia, especialmente em Porto Velho, os indicadores precisam continuar sendo acompanhados nos próximos meses para saber se essa tendência será consolidada ou se representa apenas uma oscilação temporária.

POSSIBILIDADE
Talvez a parte mais interessante de todo esse processo não esteja nos números, mas no comportamento. O brasileiro começou a perceber que renegociar uma dívida não significa fracasso.

CAMINHO
Significa reconhecer o problema e procurar uma saída. Da mesma forma, empresas e governos perceberam que oferecer condições razoáveis de pagamento pode ser mais eficiente do que simplesmente cobrar, negativar e judicializar.

ORGANIZAÇÃO
Essa mudança de mentalidade é saudável. O cidadão ganha uma oportunidade de reorganização. O credor aumenta as chances de receber. O comércio recupera consumidores. E o poder público consegue transformar créditos parados em arrecadação.

IMPORTANTE
Por isso, talvez o dado mais importante não seja simplesmente a queda de determinado percentual de inadimplência.O verdadeiro sinal de melhora está na combinação de três fatores.

IMPORTANTE 2
menos famílias entrando em dívidas impagáveis, menor pressão sobre a renda e mais pessoas procurando negociar o que já devem. Se esse movimento continuar, Rondônia poderá entrar em uma fase de recuperação gradual da saúde financeira das famílias.

IMPORTANTE 3
Não será uma recuperação espetacular nem imediata. Será silenciosa, construída parcela por parcela, acordo por acordo e orçamento doméstico por orçamento doméstico.

CONSUMIDOR
A dívida ainda existe. A inadimplência ainda é alta. Mas há um sinal diferente no comportamento do consumidor: em vez de apenas fugir da cobrança, ele está começando a procurar a negociação. E isso, em uma economia ainda pressionada, já é uma notícia que merece ser registrada.

FRASE
Sair das dívidas é mais do que organizar as finanças: é recuperar tranquilidade, dignidade e liberdade.

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *