Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona

Ainda há quase 500 policiais militares cedidos para outros órgãos, incluindo a própria Casa Militar que faz a segurança de Marcos Rocha e seus parentes; Chefe do Executivo estadual vai para China ganhando diárias de 75 mil reais e não há definição de datas para Flor do Maracujá

Desprotegidos
A segurança pública em Rondônia parece viver uma curiosa inversão de prioridades. Enquanto a população cobra mais policiais nas ruas para enfrentar o avanço das facções criminosas, uma parcela considerável do efetivo da Polícia Militar permanece confortavelmente instalada em gabinetes, repartições e órgãos públicos.
Desprotegidos 2
No papel, a Polícia Militar deveria contar com 8.364 integrantes. Na realidade, são cerca de 4.710 policiais, consequência de mais de uma década sem concurso público para recompor a tropa. E, para deixar o cenário ainda mais curioso, 463 desses militares estão oficialmente cedidos a outros órgãos do Estado.
No ar-condicionado
Eles estão espalhados por uma verdadeira excursão institucional: Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Ministério Público, Casa Militar, Sesdec, secretarias estaduais, prefeituras e diversos outros órgãos. Polícia na rua? Essa ficou para depois.
Problemas
O resultado aparece diariamente. Entre férias, licenças, afastamentos médicos (inclusive por problemas psicológicos) e funções administrativas na própria PM, restariam aproximadamente 700 policiais militares em atividade operacional para atender os 52 municípios rondonienses.
Quase empate
Traduzindo os números: existem quase dois policiais cedidos para cada três que realmente estão patrulhando as ruas. Se os 463 militares atualmente deslocados para atividades burocráticas retornassem ao policiamento ostensivo, o reforço seria suficiente para mudar significativamente a presença da PM em diversas regiões do estado.
Os “coroné”
A lista de cedidos chama atenção pelo alto escalão. São sete coronéis, 15 tenentes-coronéis, seis majores, cinco capitães, além de dezenas de tenentes, subtenentes, sargentos e cabos.
Quintal de casa
A campeã absoluta dessa concentração é a Casa Militar, que reúne 131 policiais militares. Logo atrás aparece a própria Secretaria de Segurança (Sesdec), com outros 108. Ou seja, justamente a estrutura responsável pela segurança pública concentra mais de duas centenas de policiais longe da atividade-fim.
Mais gabinetes
Na sequência aparecem a Assembleia Legislativa, com 56 militares; o Tribunal de Justiça, com 43; e o Ministério Público, somando MPRO e Gaeco, com outros 37.
Cidades desprotegidas
A Assembleia Legislativa dispõe atualmente de 56 policiais militares cedidos. Efetivo superior ao policiamento diário disponível em diversos municípios do interior de Rondônia. Enquanto isso, moradores de várias cidades aguardam por uma viatura, patrulhamento preventivo ou simplesmente a presença ostensiva da PM nos bairros.
Artigo de luxo
O Tribunal de Justiça conta com 43 militares cedidos. O Tribunal de Contas possui outros 12. O Ministério Público utiliza 30 policiais, além de mais sete lotados no Gaeco.
Faça o que eu digo…
A Casa Militar permanece liderando com folga, seguida da Sesdec, que, ironicamente, administra um dos maiores contingentes de policiais fora das ruas justamente em meio ao discurso permanente de combate ao crime organizado.
Mais cedências
Também existem policiais cedidos para Prefeitura de Porto Velho, Defensoria Pública, Sedam, SEAS, Politec, Casa Civil, Sepog, PGE, DER, Detran, TRE, Sesau, ABIN e diversos outros órgãos.
Enquanto isso…
Nas periferias de Porto Velho e em municípios do interior, a realidade é bem menos confortável do que nos corredores climatizados das repartições públicas.
O pau tora
Facções ampliam território, empresas denunciam extorsões, provedores de internet sofrem ataques, moradores convivem com execuções, invasões e os chamados “tribunais do crime”. A sensação de insegurança cresce praticamente na mesma velocidade em que diminui o efetivo disponível para o patrulhamento ostensivo.
Seja o que Deus quiser
Os números colocam sobre a mesa uma discussão inevitável: faz sentido manter centenas de policiais militares exercendo funções administrativas enquanto faltam homens e mulheres fardados justamente onde a população mais precisa deles?
Deixa pro próximo
Mais do que realizar novos concursos públicos (uma necessidade cada vez mais evidente), cresce a pressão para que o Governo de Rondônia reveja a política de cessões. Afinal, segurança pública dificilmente se faz atrás de mesas, em salas refrigeradas ou distribuindo cargos estratégicos. Quem enfrenta o crime está nas ruas. E, pelo visto, cada vez mais sozinho.

Homem do peixe
Mantendo a fama de embaixador do tambaqui rondoniense, o ex-governador em exercício Marcos Rocha (PSD) vai para mais uma viagem internacional. Desta vez, vai para o outro lado do planeta (de novo): na China, fora as passagens em classe executiva, ainda vai receber 75 mil reais em gordas diárias pagas em dólares. Mas, desta vez, esta ganha um “tempero” especial…
Com a mulher do peixe…
Desta vez, Marcos Rocha não levará um séquito de assessores como das outras vezes, para ganharem tantas diárias quanto ele. A comitiva será apenas um par: ele e a secretária executiva Ruth Carvalho. A justificativa (secreta, já que não pode ser divulgada conforme lei assinada pelo próprio Rocha), é uma missão internacional com duração de 15 dias.
Sem saber
Mais uma vez, a população faz as mesmas perguntas (que ficam sempre sem resposta): Qual será a agenda oficial da viagem? Quais investimentos ou benefícios concretos Rondônia pretende buscar? Qual o custo total da missão internacional? Quais resultados serão apresentados após o retorno?
Nem aí
Se Marcos Rocha, que é um belo de um coronel fajuto, que nunca comandou um batalhão, muito menos uma companhia ou pelotão da Polícia Militar, que dirá se preocupar se a população tem segurança ou não. O mais importante para ele está garantido: segurança para ele e a família, e principalmente, outras viagens até o fim do mandato, no dia 31 de dezembro.
Nem aí 2
Nesta coluna mesmo e alguns veículos da imprensa rondoniense que não recebem gorda mídia do Governo do Estado, já foram divulgados gastos e mais gastos do “coroné” de arraial com viagens nacionais e internacionais. A única coisa que Marcos Rocha fez com grande competência foi gastar dinheiro público em viagens e diárias nesses oito anos de desgoverno.
Nem aí 3
Eu tenho certeza que Marcos Rocha e equipe não estão nem um pouco preocupados com a falta de segurança pública ou a saúde em cacos, especialmente no símbolo da incompetência daquele que prometeu o Heuro para se reeleger. Afinal, não tem orçamento para resolver os problemas, mas as viagens e as diárias estão sempre garantidas.
Nem aí 4
Imagino que o governador, na volta desses passeios intermináveis, deve ficar mexendo no celular, buscando qual outro destino ir às custas de dinheiro público. E pelo que vejo, não há nenhum pudor dele e da sua equipe (ou até mesmo dessa secretária executiva que vai sozinha com ele). O importante é fazer turismo, enquanto a população padece com a precariedade dos serviços públicos.

Chacota
Quem trouxe primeiro as informações da viagem foi a página Humor Rondoniense. Depois, o infuenciador Rato Andrade fez uma esquete primorosa sobre mais uma entre dezenas de idas e vindas do “coroné” de arraial. Depois de falar que vai para a China (mais uma vez), ele pega no celular e diz que só tem tragédias no Instagram (piada de mau gosto do desgovernador).
Chacota 2
A moça que conversa com o “coroné” de arraial (muito bem representado por sinal por Rato) diz que ele não fez nada pela segurança pública. E Rato solta essa: “é minha filha, é que oito anos foi pouco tempo. Não deu para fazer muita coisa não”. Imagina se tivesse mais tempo, hein??? Iria dar um jeito de arranjar uma missão interplanetária para a Lua ou Marte…

Chacota 3
A cereja do bolo é quando a moça pergunta: “quem é aquela ali? É a primeira dama?”. Música de drama e o “coroné” quase engasga com a resposta. Diz que é a “assessora misteriosa dele”. A imagem mostra uma mulher com um vestido sensual, máscara de carnaval, enquanto mexe em um notebook, e depois, dá aquela ajustada na “comissão de frente” dela.
Chacota 4
O vídeo ainda é finalizado com um belo toque de deboche: “tô levando a bichinha para que vocês não falem mal. E nessa viagem vou até economizar nas diárias, pois vou colocar ela no meu quarto. É pra galera aí não falar por causa de diária”. Acho que não precisa mais comentar nada. Se o “personagem do vídeo” não sente vergonha nenhuma, o que é a população achar ruim, não é mesmo???
Sem previsão
Junho já está chegando ao fim, as quadrilhas ensaiam, os bois-bumbás correm contra o tempo, costureiras trabalham, coreógrafos fazem milagres e os grupos folclóricos tentam adivinhar o futuro. O único que parece não saber de nada é justamente quem deveria organizar a festa.
Sem previsão 2
Faltando pouco para o período tradicional do Flor do Maracujá, o Governo de Rondônia continua tratando o maior evento folclórico do estado como se fosse uma surpresa de última hora. Até agora, nada de datas oficiais, nada de local definido, nada de programação divulgada. O arraial mais famoso de Rondônia segue existindo apenas na base da esperança.
Sem previsão 3
A imprensa procurou a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) e a Sejucel para obter informações sobre o cronograma, estrutura, investimentos públicos e possíveis parcerias. Depois de mais de uma semana, veio a resposta digna de manual da burocracia: o assunto está sendo analisado e um posicionamento será apresentado “assim que possível”. Traduzindo: ninguém sabe, ninguém responde e o relógio continua correndo.
Meia-boca
Posteriormente, por telefone, a única confirmação obtida foi quase uma obra-prima da objetividade: “vai ter”. Excelente. Só esqueceram de informar um pequeno detalhe: quando, onde e de que jeito.
Incertezas
Enquanto isso, quem realmente faz o Flor do Maracujá acontecer segue trabalhando às cegas. Quadrilhas e bois-bumbás não surgem por geração espontânea. A preparação exige meses de ensaios, confecção de figurinos, produção de alegorias, montagem de cenários, organização das torcidas e mobilização de centenas de voluntários.
Incertezas 2
Muitos grupos começaram os preparativos ainda nos primeiros meses do ano, mas continuam sem saber sequer onde irão se apresentar. A indefinição também atinge quem depende economicamente da festa. Ambulantes, comerciantes, pequenos empreendedores e trabalhadores informais aguardam uma resposta que, até agora, parece perdida em algum corredor da administração estadual.

História morrendo
O mais curioso é que o Flor do Maracujá não nasceu ontem. Criado em 1983, tornou-se um dos maiores eventos culturais da Região Norte e um dos principais símbolos da identidade rondoniense. Mesmo assim, a cada ano a organização parece redescobrir que existe um arraial para realizar, como se o calendário fosse uma novidade recém-chegada.
História morrendo 2
O histórico também não ajuda a tranquilizar ninguém. Em 2022, o evento foi cancelado sob a justificativa de falta de recursos e patrocínio, frustrando milhares de brincantes e amantes da cultura popular. Desde então, qualquer silêncio do governo desperta um inevitável déjà vu.
Governo futurista
Resta aos grupos folclóricos fazer o que aprenderam ao longo dos anos: continuar ensaiando, torcendo e esperando. Afinal, se depender da velocidade das definições oficiais, talvez seja mais fácil descobrir primeiro a programação do Flor do Maracujá de 2027.
*Esta coluna foi escrita com informações publicadas por Rubens Coutinho no dia 14 de junho no Tudo Rondônia e pelo Rondoniaovivo no dia 23 do mesmo mês.
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