Brasília – O governo federal e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, marcado para 2 de setembro, pode abrir caminho para novas sanções por parte dos Estados Unidos, ampliando a crise diplomática entre os dois países.
Fontes do Planalto e da Corte apontam que a administração de Donald Trump, que já adotou medidas de retaliação contra o Brasil nos últimos meses, pode endurecer ainda mais as pressões caso Bolsonaro seja condenado. Entre as hipóteses estão sanções contra outros ministros do Supremo, com base na Lei Magnitsky, e novas barreiras econômicas que poderiam atingir diretamente bancos, investidores e exportadores brasileiros.
O clima de tensão cresceu após o ministro Flávio Dino afirmar, em decisão recente, que nenhuma ordem ou sanção estrangeira tem validade no país sem homologação do STF. A medida foi vista como uma resposta direta às ações dos Estados Unidos, mas também aumentou a apreensão no meio político e no mercado financeiro.
Em julho, os EUA impuseram sanções ao ministro Alexandre de Moraes, congelando seus bens e proibindo transações com entidades americanas. Além disso, o governo Trump aplicou tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras e revogou vistos de integrantes do Judiciário, intensificando a crise diplomática.
Apesar da pressão internacional, ministros do STF sustentam que o julgamento seguirá normalmente e que o tribunal não se curvará a interferências externas. “A independência do Judiciário brasileiro não está em negociação”, disse uma fonte próxima à Corte.
O processo contra Bolsonaro trata das acusações de que o ex-presidente teria participado da elaboração de um plano para reverter o resultado das eleições de 2022, quando foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.
Especialistas em geopolítica apontam que, além de impactos comerciais imediatos, o prolongamento da crise pode gerar insegurança econômica e afastar investimentos externos. Ainda assim, a avaliação interna é de que não haverá recuo por parte do Supremo no julgamento.














