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Colunas Montezuma O Dia na História Política Rondônia

HISTÓRIAS DO MEU BAÚ – SÉRIE “As (muitas) vezes que não morremos VII

2 minutos de leitura


Personagem: JORNALISTA MONTEZUMA CRUZ

APUROS NO AR: VOAMOS PARA GUAJARÁ-MIRIM E POUSAMOS NA BOLÍVIA

Montezuma: jornalista, escritor e com muita coisa a contar

Ainda não havia GPS em 1978, quando embarcamos para Guajará-Mirim, decolando da pista do Aeroporto Belmont. No dia anterior aconteceu uma reunião do Conselho da Sudam, à frente o presidente do órgão, governadores ou representantes de vários órgãos, encontro realizado no auditório do Escola “Carmela Dutra”, em Porto Velho.
A delegação, à frente o governador Humberto Guedes, tinha como programação inaugurar a indústria de beneficiamento de castanha do grupo Bennesby e o Aeroporto Internacional de Guajará-Mirim. Eram dois bimotores, o das autoridades e o nosso, o PT-CGR pilotado pelo comandante Minoro. Passageiros, 3 funcionários, um deles o Chefe da AIRP, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas o jornalista Jorge Sarrafe dos Santos e os repórteres Lúcio Albuquerque, José Pedro Sá e eu. O “velho” Monte: “Tempo fechado”, a ansiedade foi tomando conta de mim. Debaixo de um temporal, o piloto Minoro manobrava no controle do combustível, enquanto eu dava sinais de interrogação ao Lúcio, e ele, para aparentar calma, erguia o exemplar do ‘Alto Madeira”, apontando uma notícia com o deputado Jerônimo Santana.
Jorge Santos dormia, Pedro Sá cochilava, o avião chacoalhava. Minoro fazia de tudo para se desviar dos CBs.
“Bateu-me o desespero e comecei a escrever a despedida em um caderno que o Lúcio diz ter guardado, uma carta lida por ele, apesar de meus protestos, a pedido governador apesar de meus protestos. O Lúcio diz que eu chorava porque, se houvesse um desastre, não conheceria o primeiro filho” – na verdade, Vânia, que nasceria em 11 de abril daquele ano na Maternidade Darci Vargas.
“O Lúcio ampliou a história, como que eu tinha prometido mandar celebrar uma missa por meu pai, Salvador Moreno Munhoz, falecido em 1969 no Hospital das Clínicas, em São Paulo”.

A pedido do governador Humberto Guedes a carta de adeus no almoço em Guajará

Sem condições de pouso no Aeroporto de Guajará, Minoro tomou a direção de Guayaramerín (Beni), onde chegaríamos a salvo a bordo do Charles Golf Romeu. Eudes Lustosa nos aguardava, junto com a comitiva oficial. Houve tempo de assistir a inauguração da indústria e de presenciar a “presepada” do Lúcio, relatando aos amigos – inclusive ao coronel Humberto Guedes – o meu temor de morrer naquele voo.
Mas, a cada frase lida em meu caderno, a alegria de viver falava mais alto.

 

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