Por Daniel Oliveira da Paixão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem protagonizado, nos últimos meses, declarações polêmicas que revelam uma preocupante falta de coerência em sua postura diante de temas internacionais. Entre os exemplos mais evidentes está a contradição ao comentar decisões judiciais de outros países e conflitos armados globais.
Recentemente, Lula defendeu publicamente a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, condenada por corrupção, afirmando que “a Argentina tem que libertar Cristina”. A frase foi interpretada por muitos como uma interferência direta no Judiciário argentino — uma instância soberana que, no Estado de Direito, deve atuar com independência. Trata-se de uma declaração que, vinda de um chefe de Estado, soa imprópria e diplomáticamente invasiva.
O curioso é que, pouco tempo depois, ao comentar a fala do presidente norte-americano Donald Trump em defesa de Jair Bolsonaro, Lula adotou o discurso oposto. Criticou Trump e afirmou que ele “não pode se meter em nossas decisões”. A mesma conduta que Lula adotou em relação à Argentina — opinar sobre assuntos internos de outro país — foi justamente o que ele condenou quando partiu do presidente americano.
A incoerência se repete na abordagem de Lula sobre guerras internacionais. Em diversas ocasiões, ele tem feito duras críticas a Israel pela resposta militar contra o Hamas, grupo que promoveu ataques terroristas no território israelense. O tom de condenação é direto e constante. Por outro lado, quando se trata da guerra entre Rússia e Ucrânia, o presidente brasileiro evita críticas ao governo de Vladimir Putin, mesmo diante da invasão russa a um país soberano — fato amplamente reconhecido pela comunidade internacional como violação do Direito Internacional.
Ainda mais contraditória foi a postura do Brasil, sob influência do bloco BRICS, de condenar ações de resistência ucraniana, ou seja, criticar o país invadido por reagir à ocupação estrangeira. Tanto no caso de Israel quanto da Ucrânia, foram os respectivos países que reagiram a ataques — no primeiro, a um grupo extremista; no segundo, a um exército estrangeiro. Ainda assim, Lula adota pesos e medidas diferentes, demonstrando alinhamento seletivo, possivelmente motivado por afinidades ideológicas e interesses geopolíticos.
A diplomacia brasileira, historicamente reconhecida por sua moderação e busca por consensos, parece, sob o atual governo, cada vez mais marcada por discursos oscilantes. Quando um líder age segundo critérios subjetivos e contraditórios, abre espaço para desconfiança e enfraquece a credibilidade do país no cenário internacional.
A coerência é um valor fundamental para quem deseja liderar com autoridade moral. Quando ela falta, a retórica se torna vazia — e o discurso, questionável.
Por Daniel Oliveira da Paixão – Jornalista em Cacoal (RO)
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