POESIA: ANTES DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

ANTES DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Antes da máquina pensar,
A gente pensava primeiro;
Escrevia devagar,
Com sentimento verdadeiro;
Cada frase tinha alma,
Cada erro, seu paradeiro.

O poeta olhava a lua,
O cronista, a multidão;
O pintor se sujava,
Dando cor à criação;
E o tempo, mesmo mais lento,
Tinha mais inspiração.

As cartas vinham dobradas,
Com cheiro de emoção;
A saudade era guardada
No fundo do coração;
E uma simples caligrafia
Valia mais que explicação.

A foto era revelada,
Não surgia de repente;
Tinha espera, tinha escolha,
Tinha abraço, tinha gente;
Hoje tudo sai perfeito,
Mas nem sempre sai presente.

Antes do clique ligeiro,
Havia mais paciência;
Antes da resposta pronta,
Havia mais consciência;
A mente caminhava livre,
Sem tanta dependência.

O aluno abria o livro,
Pesquisava com atenção;
Copiava no caderno,
Buscava a compreensão;
Hoje pergunta à máquina
E esquece a reflexão.

Na mesa havia conversa,
Olho no olho, comunhão;
A família se reunia
Sem tela na refeição;
Hoje há gente tão distante
Mesmo estando no salão.

Não nego que a novidade
Trouxe ajuda e solução;
Mas quando tudo é automático,
Perde-se a contemplação;
E o homem corre o perigo
De terceirizar o coração.

Era melhor? Talvez fosse,
Pelo afeto mais profundo;
Pelo olhar mais demorado,
Pelo encanto do segundo;
Quando a vida era mais simples,
Mas cabia todo o mundo.

Que a tecnologia sirva,
Mas não tome o nosso lugar;
Que ajude nossa caminhada,
Sem nos fazer parar;
Pois máquina pode escrever,
Mas só gente sabe amar.

Moiseis Oliveira da Paixão

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