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Cantinho Literário Colunas

POESIA: OS ROLADORES DE TELAS

2 minutos de leitura

OS ROLADORES DE TELAS

Acorda bem cedinho,
Pega logo o celular,
Começa sua rolagem,
Sem querer mais parar,
Perde até o café,
Só pensando em navegar.

A esposa chama:
“Venha logo jantar!”
Ele diz: “Já vou!”
Mas continua a rolar,
A comida fica fria
Quando resolve levantar.

No ônibus vai sentando,
Começa logo a rolar,
Nem olha a paisagem,
Nem sabe onde parar,
Chega no seu destino,
Mas continua no lugar.

O filho chama seu pai:
“Quero com você brincar?”
Ele responde: “Depois!”
E continua a rolar,
O menino fica triste,
Esperando para brincar.

Também na fila do banco,
Começa a tela rolar,
Chamam sua senha,
Nem pensa em levantar,
Perdeu sua vez,
Volta para esperar.

Foi para o comércio,
Viu uma promoção,
Comprou camisa e calça,
Depois uma televisão,
Chegou a fatura,
Começou a lamentação!

Durante o culto,
O celular fica a vibrar,
O pastor está pregando,
Ele começa a olhar,
Perde toda mensagem,
Só pensa em compartilhar.

Quando chega a noite,
Continua a tela rolar,
Diz: “Só mais um vídeo!”
Outro começa a chamar,
Quando resolve dormir,
Já está quase a clarear.

A tela pode ensinar,
Também pode divertir,
Mas cuidado com excesso,
Não deixe a vida fugir,
Olhe para quem está perto,
Antes de prosseguir.

Rolador, pare um pouco,
Deixe a tela descansar,
Converse com sua gente,
Saia para passear,
A vida passa depressa,
Não dá para retornar!

Moiseis Oliveira da Paixão

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