Por sonhar com Anna Karenina¹
Matrioska guarda segredos, não maldades!
Por Geraldo Gabliel

ALEXANDER IVANOVITCH
Hope Channel Russia
Stanislavskogo Street, 48
300012 Tula P. O. Box 170
RUSSIAN FEDERATION
Desde a infância Geh Latinus tem fascínio por aeronáutica – tecnologia que dá asas à humanidade. Sabendo-se que, antes mesmo do americano pisar na lua, os russos (ou soviéticos?) já teriam lançado, com sucesso, o Sputnick 1 – uma esfera metálica antenada, não tripulada. E, em seguida, o Sputnick 2, dando início à fantástica corrida espacial. A área da tecnologia e da exploração espacial foi um dos campos em que norte-americanos e soviéticos disputaram a hegemonia² em nosso Planeta. Quem domina o espaço sideral, domina o mundo! (ainda que, toda inovação tecnológica é, primeiramente, usada para a Guerra – seres humanos se matam pelo poder – antes de chegar a ser uma ferramenta de funcionalidade para nós – os demais pobres mortais – Exemplo: já se usava na Apollo 11 a tecnologia de emissão de ondas hertz de rádio na comunicação entre a Lua e a Terra – o nosso hoje indispensável celular)…
– A cadela Laika – que não falava, nem comandava aviônicos – foi a primeira criatura viva a orbitar a Terra, lançada pela União Soviética no Sputnik 2 em 3 de novembro de 1957. A missão, no entanto, foi uma jornada de ida, e Laika não sobreviveu à viagem. (0verview)
Este cronista viveu aquele momento em que o homem pisou na Lua pela primeira vez no dia 20 de julho de 1969, durante a missão Apollo 11. Sendo o astronauta norte-americano Neil Armstrong o primeiro a caminhar na superfície lunar – “Um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade” disse Armstrong. Essa frase, eternizada na história, reflete o significado da conquista espacial não apenas para os Estados Unidos, mas para toda a humanidade.
E foi num desses voos pelo Planeta Azul – é: “A Terra é Azul” – disse Yuri Gagarin, em 12 de abril de 1961, ao observar a Terra, desde o espaço, a bordo da nave Vostok 1 – que Geh Latinus aterrissou em Barcelona, onde conheceu o aeronauta Alexander Ivanovitch – todo entusiasta com a temática Aeroespacial, já, naquela virada de século (ano 2000) preocupado com o bug do milênio, e pensando numa fórmula de física quântica para evitar uma hecatombe no Planeta (poderia se dizer “o cataclisma” – seria melhor entendido). Alex teria cumprido missão na Estação Espacial Internacional (ISS) – em pesquisa científica em microgravidade…
Entre Vodkas, Suspiros e Segredos
No burburinho das Ramblas de Barcelona, um acaso entre multidões trouxe Alexander Ivanovitch ao caminho de Geh Latinus. Alex, russo de Leningrado (Hoje, São Petersburgo) caminhava com a calma de quem já viu três revoluções e alguns invernos que congelam até memórias; Latinus, brasileiro curioso e falante, buscava apenas um chocolate caliente para aquecer-lhe a alma naquele inverno nevado, e alguma conversa… Mal sabiam que aquela tarde mediterrânea os levaria até os confins do Universo Sideral… ainda que, naquele momento, apenas na memória – Latinus se imaginou pegando uma carona com aquele recém-amigo astronauta e dando rodopios na exosfera da Terra e vendo, por si mesmo, lá de cima, de que a Terra é plana! – Mentira: minha professora de Geografia disse que a Terra é periforme – nem plana, nem redonda – tem a forma de uma pera – achatada nos polos. (estranho né?!) quase a forma da Matrioska – a “boneca russa” que guarda em segredo no seu ventre outras bonecas-filhas decrescentes… Geh Latinus trouxe uma dessas bonecas russas de lá, e esta semana, vai levá-la de presente de aniversário para a sua primeira netinha Sofia Jolie).
Antes de “voar ao espaço imaginário” Alexander, com o mistério de um Dostoiévski em férias, convidou Geh para conhecer a Rússia. – “Venha como turista. Veja com seus olhos o que os livros não contam.” Dito e feito. Passagens compradas, passaporte carimbado e uma mala recheada de ansiedade e meias térmicas – tudo virtual – embarque na plataforma Glasnost, rumo à Perestroika… Enquando lê Anna Karenina (Анна Каренина) – um romance do escritor russo Liev Tolstói – um encanto de literatura russa.
O encanto e o estranhamento
Os moscovitas receberam Geh com a imponência do Kremlin e os olhares desconfiados da alfândega. A primeira impressão foi de grandiosidade: muralhas medievais, avenidas que pareciam não terminar, uma língua que soava como código secreto. O alfabeto cirílico transformava até anúncios de refrigerante em enigmas. E as russas? – Mulheres lindas (quase que Geh Latinus se apaixona pela linda moscovita Yuliana* Psareva – professora de russo – @irinarusa) ([email protected] e [email protected])
Moscou – em cada esquina, um monumento — ora ao primeiro satélite (Sputnik), ora a um queijo cremoso. “Eles homenageiam tudo aqui,” pensou Geh, ao descobrir uma estátua dedicada às anchovas que salvaram uma cidade da fome. A cerveja, até pouco tempo, nem sequer era considerada alcoólica. E, de fato, os brindes fluíam com uma naturalidade quase científica.
Guiado por Alexander e pela Transiberiana, Geh cruzou fusos e histórias. Cada cidade, uma língua; cada floresta, uma lenda. O Lago Baikal, silencioso e profundo, parecia esconder segredos soviéticos. O Rio Volga, majestoso, contava em suas curvas os tempos do czarismo e do comunismo. E a taiga… Ah, aquela mata infinita e silenciosa que parecia ouvir pensamentos.
O brazuca Latinus se encantava com a hospitalidade — samovares borbulhando chá, idosos contando lendas, crianças rindo ao som de balalaikas. Mas havia algo. Um silêncio que não era só geográfico. Monumentos ao passado militar, fronteiras com 14 países, olhares que às vezes desviavam. E uma pergunta não dita: “E se estivermos sempre sendo observados?”
O fantasma da Guerra Fria, que Geh conhecia pelos livros de história (telejornais) parecia vivo nas entrelinhas. Os sorrisos russos eram gentis, mas carregavam a melancolia de quem aprendeu a desconfiar do mundo. Lembra-se de Mikhail Sergueievich Gorbatshov? – aquele líder político soviético que parecia ter tatuado na cabeça um mapa de uma das 15 repúblicas que formavam a URSS – sempre presente nos noticiários dos anos 80’s, anunciando a sua política de glasnost (abertura) e a perestroika (reestruturação) do regime socialista soviético.
Últimos suspiros e suspenses…
Ao despedir-se de Alexander, Geh carregava lembranças preciosas — o Monte Elbrus visto da janela, um almoço regado a pelmeni e afeto, e uma sensação estranha, como se tivesse percorrido não um país, mas um tempo. A Rússia não era só extensão territorial. Era profundidade emocional, era um paradoxo envolto em florestas e foguetes.
E naquela volta à Barcelona, ao pisar no solo acolhedor, Geh só conseguiu pensar: alguns encontros mudam a rota da alma — e nos fazem suspeitar que há mais mistérios entre a vodka e o Volga do que sonha nossa vã filosofia. E foi isso que, recentemente – 2023 – Geh Latinus, em sua Ronda de Delivery, nos Estados Unidos, ao entregar um Borscht (uma sopa de beterraba com carne e vegetais) a um cliente russo – alto, forte, barbudo – soltou expontaneamente um Я тебя люблю” (Ya tebya lyublyu) – “Eu te amo” – sem más intenções, ou maldade, pois era a única frase que Latinus sabia falar em russo. (https://www.youtube.com/watch?v=QogGfZvY7sk – Amor em qualquer língua).
Hoje posso dizer também “Привет” (priviét) “oi” e, “до свидания” do svidaniya – “até logo” em português. (https://www.facebook.com/reel/526397753070607 – aprendi com a Irina Psareva – fala com ela).
до свидания! (visite uma Христианская церковь адвентистов седьмого дня)
(Em homenagem ao primeiro astronauta brasileiro, o tenente-coronel da Força Aérea Brasileira, Marcos Pontes que viajou para a Estação Espacial Internacional (ISS) em 2006, na missão Centenário, a bordo da nave russa Soyuz TMA-8. Marcos Pontes foi o primeiro e único astronauta brasileiro a realizar uma missão espacial até o momento.)
Geh Latinus
Cacoal, 12 de Julho de 2025.
*https://adventist.news/pt/news/hope-channel-r%C3%BAssia-guia-a-jornada-espiritual-de-uma-mulher Acesso em 11 de julho de 2025.
¹ https://pt.wikipedia.org/wiki/Anna_Karenina – Acesso em 11 de julho de 2025.
² https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/sputnik-1. Acesso em 11 de julho de 2025.















