Porto Velho foi classificada como a segunda pior cidade do país em saneamento básico entre os 100 maiores municípios brasileiros, segundo o Ranking do Saneamento 2025, divulgado nesta terça-feira (15) pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria GO Associados. O levantamento tem como base os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), referentes ao ano de 2023.
A capital de Rondônia ficou na 99ª posição, à frente apenas de Santarém (PA), confirmando a grave situação da infraestrutura de água e esgoto no município. O estudo aponta que menos de 35% da população tem acesso à água potável, e apenas 9% das residências são atendidas com coleta de esgoto. O índice de tratamento do esgoto gerado na cidade é ainda mais alarmante, girando entre 1,5% e 3% do volume total.
Outro dado preocupante é o desperdício de água tratada, que supera 77% em Porto Velho, colocando a cidade entre as maiores taxas de perdas do país. A água que sai das estações muitas vezes não chega às casas, devido a vazamentos, furtos ou falhas na rede de distribuição.
De acordo com o Trata Brasil, o investimento feito pelo município também está muito abaixo do necessário para reverter esse cenário. Em média, Porto Velho aplica cerca de R$ 37,50 por habitante ao ano em saneamento, valor distante da faixa entre R$ 113 e R$ 231, considerada mínima para atingir as metas de universalização estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), que prevê 99% de acesso à água potável e 90% de cobertura de esgoto até 2033.
O estudo ainda destaca que 58% das cidades com pior desempenho no ranking estão na região da Amazônia Legal, evidenciando uma desigualdade histórica nos investimentos em infraestrutura básica. Especialistas alertam que a falta de saneamento tem consequências diretas na saúde pública, na preservação ambiental e no desenvolvimento socioeconômico da região.
Apesar do cenário crítico, o relatório aponta que é possível reverter esse quadro com maior planejamento, investimentos consistentes e parcerias eficientes. A adoção de metas, fiscalização dos contratos de concessão e priorização de áreas mais vulneráveis são algumas das medidas recomendadas.
Procurada, a Prefeitura de Porto Velho ainda não se manifestou oficialmente sobre os resultados do ranking.















