Projeção matemática para o segundo turno indica Flávio Bolsonaro com 52,29% e Lula com 47,71%
Simulação elaborada por Daniel Oliveira da Paixão considera os votos do primeiro turno, possíveis transferências dos eleitores dos candidatos eliminados e mudanças no comparecimento às urnas. Autor ressalta que os números são hipotéticos e não representam pesquisa eleitoral.
Com a definição dos dois candidatos que disputarão o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, uma das principais questões passa a ser o destino dos votos recebidos pelos concorrentes eliminados. Como esses eleitores se comportarão diante da escolha entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT)?
Foi a partir dessa pergunta que o jornalista Daniel Oliveira da Paixão elaborou uma simulação matemática própria, utilizando os resultados oficiais do primeiro turno e estabelecendo hipóteses sobre a transferência de votos, a abstenção e o comparecimento de novos eleitores.
O exercício chegou a um cenário de 52,29% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 47,71% para Lula, uma diferença de 4,58 pontos percentuais.
Daniel faz questão de esclarecer que sua projeção não é uma pesquisa eleitoral. Nenhum instituto forneceu dados para os cálculos, tampouco foram realizadas entrevistas com eleitores. Os percentuais resultam exclusivamente de hipóteses formuladas pelo autor, aplicadas aos números da eleição.
O ponto de partida são os votos do primeiro turno
Para elaborar sua projeção, Daniel utilizou como referência a votação dos dois finalistas no primeiro turno. Flávio Bolsonaro conquistou 56.104.268 votos, enquanto Lula recebeu 53.876.617.
A diferença de 2.227.651 votos favorável a Flávio Bolsonaro representa a vantagem inicial considerada no exercício.
Em um cenário puramente matemático, se Flávio mantivesse exatamente a votação recebida no primeiro turno, sem conquistar votos adicionais, Lula precisaria obter pelo menos 2.227.652 votos a mais para ultrapassá-lo.
Entretanto, Daniel considera improvável que apenas um dos candidatos amplie sua votação. Ambos deverão receber parte dos votos dos concorrentes eliminados, além de poderem conquistar eleitores que não compareceram às urnas na primeira votação.
Por isso, a simulação não se limita à diferença inicial. O cálculo incorpora hipóteses específicas para cada grupo de eleitores, buscando imaginar como poderia ocorrer a redistribuição dos votos.
Como Daniel calculou a transferência dos votos
O principal componente da projeção é uma distribuição hipotética dos votos recebidos pelos candidatos que ficaram fora do segundo turno.
Na avaliação do autor, seria pouco realista imaginar que todos os eleitores desses candidatos seguiriam obrigatoriamente uma mesma orientação. Parte poderia escolher Flávio Bolsonaro, outra parcela optaria por Lula e alguns prefeririam votar em branco ou anular o voto.
Assim, Daniel estabeleceu percentuais diferentes para cada eleitorado, considerando possíveis afinidades políticas, preferências ideológicas e rejeições aos dois finalistas. Essas proporções são suposições pessoais, e não dados obtidos em pesquisas.
Eleitores de Augusto Cury
Para os votos recebidos por Augusto Cury, Daniel adotou a hipótese de uma divisão equilibrada entre os dois candidatos: 25% para Flávio Bolsonaro, 25% para Lula e os 50% restantes entre votos brancos e nulos.
Eleitores de Romeu Zema
No caso de Romeu Zema, a simulação considera uma transferência majoritária para Flávio Bolsonaro. Daniel estimou que 80% dos eleitores de Zema votariam em Flávio, 10% em Lula e os outros 10% optariam por votos brancos ou nulos.
Eleitores de Ronaldo Caiado
Para os votos conquistados por Ronaldo Caiado, a hipótese também favorece Flávio Bolsonaro. A estimativa adotada é de 75% dos votos para Flávio, 5% para Lula e os 20% restantes entre votos brancos e nulos.
Eleitores de Renan Santos
Em relação ao eleitorado de Renan Santos, Daniel considerou que 60% poderiam votar em Flávio Bolsonaro, 10% em Lula e os 30% restantes escolheriam votar em branco ou anular o voto.
Eleitores de candidaturas de esquerda
Para os eleitores dos candidatos de esquerda eliminados no primeiro turno, a hipótese foi de uma transferência predominantemente favorável a Lula: 70% dos votos para o presidente e 30% entre votos brancos e nulos, sem atribuição de votos desse grupo a Flávio Bolsonaro.
| Eleitorado | Flávio | Lula | Brancos/nulos |
|---|---|---|---|
| Augusto Cury | 25% | 25% | 50% |
| Romeu Zema | 80% | 10% | 10% |
| Ronaldo Caiado | 75% | 5% | 20% |
| Renan Santos | 60% | 10% | 30% |
| Candidaturas de esquerda | 0% | 70% | 30% |
Todos os percentuais são hipóteses elaboradas pelo autor. Não constituem pesquisa de intenção de voto nem representam comportamento eleitoral comprovado.
A partir dessas proporções, Daniel distribuiu hipoteticamente os votos de cada candidatura eliminada, somando os resultados aos totais obtidos por Flávio Bolsonaro e Lula no primeiro turno.
Os votos considerados brancos ou nulos foram excluídos da contagem dos votos válidos, uma vez que não são atribuídos a nenhum dos finalistas.
A possibilidade de redução da abstenção
A projeção também leva em conta uma possível mudança no comparecimento às urnas. Daniel considerou a hipótese de que a abstenção, situada em 21,08% no primeiro turno, pudesse diminuir para 20% na segunda votação.
Isso significaria o comparecimento de eleitores que não participaram da primeira etapa da eleição. Para essa parcela adicional do eleitorado, o autor estabeleceu outra hipótese: 52% dos votos para Lula e 48% para Flávio Bolsonaro.
Nesse componente da simulação, portanto, a vantagem seria de Lula, e não de Flávio.
A inclusão dessa possibilidade demonstra que o exercício não pressupõe uma transferência integral dos votos disponíveis ao candidato do PL. O cálculo procura combinar diferentes cenários de comportamento eleitoral, ainda que todos dependam de premissas subjetivas.
O cenário encontrado após os cálculos
Combinando os votos obtidos pelos finalistas no primeiro turno, as transferências hipotéticas dos candidatos eliminados e a participação estimada dos eleitores adicionais, Daniel chegou a um cenário de aproximadamente 61,6 milhões de votos válidos para Flávio Bolsonaro e 56,2 milhões para Lula.
A conversão desses números em percentuais corresponde à projeção de 52,29% para Flávio Bolsonaro e 47,71% para Lula.
“Isso não é pesquisa, não é enquete e nenhum instituto me forneceu qualquer dado. São contas que fiz por conta própria, utilizando resultados oficiais e hipóteses pessoais. Podem se confirmar ou não. É apenas um exercício matemático, uma tentativa de imaginar como os votos poderão se distribuir no segundo turno.”
O próprio autor reconhece que a eventual proximidade da projeção com futuras pesquisas não significaria, necessariamente, que cada hipótese utilizada estivesse correta. Diferentes distribuições de votos podem levar a resultados finais semelhantes.
Da mesma forma, uma divergência entre os números projetados e os levantamentos eleitorais não invalidaria a matemática empregada, mas poderia indicar que as premissas adotadas não refletem o comportamento efetivo dos eleitores.
Uma hipótese que poderá ser comparada às primeiras pesquisas
A divulgação das primeiras pesquisas eleitorais do segundo turno permitirá uma comparação inicial entre o cenário imaginado por Daniel e as intenções de voto identificadas pelos institutos especializados.
Entretanto, mesmo os levantamentos científicos apresentam margens de erro e retratam a preferência dos entrevistados no período em que são realizados. Até a votação definitiva, mudanças no comportamento do eleitorado poderão alterar o cenário.
Para Daniel, o exercício tem como principal finalidade explorar possibilidades matemáticas a partir dos resultados conhecidos, sem apresentar suas conclusões como verdades antecipadas.
Uma projeção matemática, não uma antecipação do resultado eleitoral
A simulação realizada por Daniel Oliveira da Paixão aponta uma distribuição hipotética de votos favorável a Flávio Bolsonaro, com 52,29% dos votos válidos, contra 47,71% de Lula.
O resultado depende diretamente das hipóteses de transferência dos votos dos candidatos eliminados e das estimativas sobre o comparecimento eleitoral. Alterações nessas premissas podem produzir projeções diferentes.
Os números estão colocados. As próximas pesquisas poderão oferecer os primeiros parâmetros de comparação, mas somente os eleitores, nas urnas, definirão o resultado do segundo turno.
