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Sebrae e apoia comunidade do Lago do Cuniã na valorização da carne de jacaré e do turismo sustentável

4 minutos de leitura

Abate teste da carne de jacaré foi realizado com presença de instituições parcerias

Equipe do Sebrae em Rondônia, juntamente com o ICMBIO, SEMAGRIC e a EMATER, acompanhou o procedimento de abate teste da carne de jacaré

 

Na Reserva Extrativista Lago do Cuniã, em Porto Velho, a conservação da floresta e a geração de renda caminham lado a lado. É nesse território, marcado pelo conhecimento tradicional e pela relação histórica das comunidades com os recursos naturais, que o Sebrae em Rondônia vem apoiando uma agenda voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva da carne de jacaré, tendo como princípios a sustentabilidade, a organização comunitária e a valorização econômica dos produtos da sociobiodiversidade.

A proposta é fortalecer essa atividade econômica tradicional, visto que, quando realizada dentro das normas ambientais e sanitárias, trona-se uma alternativa de receita para as famílias extrativistas. O manejo sustentável do jacaré-açu já é reconhecido pelo ICMBio como uma possibilidade de uso sustentável dos recursos naturais da Resex, com foco no abate regulamentado para comercialização da carne e do couro.

Nesse processo, o Sebrae atua para agregar conhecimento de gestão, organização da produção, acesso a mercados, inovação e competitividade. Em 2026, por meio do Sebraetec, a instituição também apoiou tecnicamente a regularização ambiental do frigorífico de jacarés da COOPCUNIÃ, contribuindo para o processo que resultou na Licença de Operação emitida pelo Ibama.

A regularização representa um passo importante para que a atividade avance com segurança e possa gerar maior valor para a comunidade. A lógica é simples: quanto mais organizada e estruturada estiver a cadeia, maiores são as possibilidades de agregar valor ao produto, ampliar mercados e fazer com que uma parcela maior da riqueza permaneça no território.

Uma identidade que pode ganhar reconhecimento

Outra frente estratégica começa a ganhar forma: Consultoria para estruturação da Indicação Geográfica (IG) da carne de jacaré do Lago do Cuniã.

Após o laudo de inspeção, fornecido pelos veterinários da SEMAGRIC, a Cooperativa CoopCuniã poderá realizar a captura, abate e comercialização da carne e do couro

O trabalho dará continuidade ao que foi identificado no diagnóstico realizado em 2025, com a demonstração de potencialidade da Carne de Jacaré, para ser reconhecida enquanto IG –  Indicação Geográfica. Agora seguirá uma nova etapa do trabalho para o reconhecimento da IG pelo INPI – Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, prevista para ocorrer de 1º a 6 de setembro de 2026, na própria Resex. A proposta é coletar evidências técnicas e científicas dos elementos que relacionam o produto ao território, sua origem, características, modo de produção e conhecimentos associados à atividade.

Mais do que um selo, uma Indicação Geográfica pode representar uma estratégia de desenvolvimento regional, econômica e cultural. O reconhecimento da origem permite proteger e diferenciar o produto, fortalecer sua identidade e criar condições para que o consumidor associe a carne de jacaré a uma história, a um território e a um modelo de produção baseado na conservação da biodiversidade e no conhecimento das comunidades tradicionais.

A Prefeitura de Porto Velho e o Sebrae já estabeleceram parceria para estruturar o destino turístico e inseri-lo no mercado de negócios turísticos, utilizando a metodologia de Destinos Turísticos Inteligentes. A proposta inclui fortalecimento das capacidades locais, empreendedorismo comunitário e criação de experiências autênticas e sustentáveis.

A carne de jacaré pode deixar de ser vista apenas como um produto isolado e passar a fazer parte de uma narrativa maior sobre o território: a floresta preservada, os rios, a pesca, o extrativismo, a culinária, os saberes tradicionais e a capacidade das comunidades de produzir e empreender sem romper com o ambiente que sustenta seu modo de vida.

O desafio é fazer com que o crescimento econômico não descaracterize a comunidade, mas, ao contrário, fortaleça sua autonomia e sua identidade. “É um modelo em que preservar e produzir não são caminhos opostos: são partes de uma mesma estratégia de desenvolvimento sustentável. Por isso, estamos aqui a observar o abate teste para confirmar o grande potencial de geração de renda para a comunidade local”, disse Carlos Eduardo Sakagami, diretor técnico do Sebrae em Rondônia, que liderou a visita técnica à Resex na última semana.

São parceiros do Projeto Turismo de Rondônia a Prefeitura Municipal de Porto Velho (via Semtel), o ICMBio e a Fecomércio, além da comunidade local que está motivada com o processo.

Esta atividade caracterizada como Bioeconomia, representa uma excelente oportunidade de renda para aquela comunidade tradicional

Mais informações sobre as ações do Sebrae em Rondônia podem ser encontradas no site www.sebrae.ro ou pelo telefone gratuito 0800 570 0800. Também é possível acessar a loja virtual em sebrae.ro/loja e acompanhar as novidades pelas redes sociais Instagram, TikTok, Facebook, LinkedIn e YouTube (@sebraero)

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