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Rondônia

COLUNA DO XAVIER – CACOAL: A EDUCAÇÃO, O GOVERNO E A NOVA SECRETÁRIA…

5 minutos de leitura

A Secretaria de Estado da Educação realizou, esta semana, um encontro que reuniu professores de Matemática, Língua Portuguesa e Supervisores Escolares, na capital do estado. O evento teve como principal finalidade ampliar as discussões que visam à elevação dos índices de qualidade da educação, uma meta buscada por todos os profissionais, embora o governo de Rondônia não tenha contribuído de maneira satisfatória, nos últimos anos. É evidente que o grupo político mais próximo ao governador faz outro discurso e diz que investe muito na educação, o que não é verdade. Pouco tempo atrás, o próprio governador gravou diversas propagandas nas redes sociais, dizendo que “nós ocupamos a 6ª posição”, no cenário nacional. O emprego do pronome “nós” pode até se justificar, visto que ele ocupa o cargo de governador e vive no estado de Rondônia, mas a realidade poderia ser muito melhor, caso o governador realmente colaborasse. Os fatores que revelam a má vontade do executivo rondoniense são diversos, mas vamos abordar apenas alguns deles, objetivando que o coronel consiga entender suas deficiências políticas e administrativas…

 

Inicialmente, cabe esclarecer que, com relação ao curso ocorrido esta semana, todos os profissionais envolvidos tiveram bom empenho para que os objetivos fossem cumpridos. Isto, levando-se em consideração a pauta do encontro. Assim, Jeieli Oliveira, Adriana Marques e Eliane Ricarte cumpriram muito bem seus papéis, no que diz respeito à Língua Portuguesa. De igual modo, os profissionais que cuidaram da parte da Matemática também merecem os justos elogios. E não poderia ser diferente, porque essas pessoas certamente buscam oferecer seu melhor, ainda que não seja uma missão muito fácil, em função da própria situação administrativa da SEDUC, já que as últimas mudanças em postos da cúpula obviamente criam dificuldades de última hora. Mas isto não pode ser atribuído aos colegas que ministraram palestras e outras atividades, durante os dois dias do encontro. Como professor de Língua Portuguesa, registro, em nome dos demais colegas, nossos agradecimentos à Jeieli, Adriana, Eliane e o pessoal administrativo que esteve conosco. O encontro também serviu para que muitos profissionais de diferentes municípios se reencontrassem, porque há muito tempo esse tipo de situação não acontecia, já que a SEDUC aderiu a esse modelo de cursos em vídeos, nos quais ninguém consegue interagir. Não é possível elevar a qualidade de ensino e obter índices melhores com esses cursos de vídeos, mas a cúpula do governo imagina que é uma grande maravilha. Nunca foi, principalmente porque eles acontecem sempre nos horários em que os professores estão em sala de aula.

 

Um fato que realmente teve conotação negativa foi a ausência da secretária de educação. Ela não passou sequer para dizer bom dia aos professores que vivem no interior do estado e que não a conhecem. Caso esteja viajando, tudo bem, porque isto justificaria o fato de não ter ido à abertura do evento, que reuniu quase 500 professores de Língua Portuguesa e Matemática de diversos municípios de Rondônia.  Todavia, se nossa secretária está na capital esta semana, realmente é uma falha que não pode acontecer. Mesmo assim, a simples exoneração de Ana Pacini já é motivo suficiente para celebrar, porque ela realmente não vai deixar saudade. No que diz respeito à atual secretária, ainda não há razão para críticas administrativas pontuais, porque ela certamente ainda busca entender o funcionamento do cargo. Aliás, é muito importante que Albaniza Batista procure conhecer a realidade dos municípios, que ouça os profissionais e que busque entender os caminhos que podem ser percorridos, para que possamos atingir os índices de qualidade desejados, coisa que sua antecessora jamais teve interesse. No aspecto administrativo, o governo de Rondônia e a SEDUC precisam perceber, por exemplo, que é impossível buscar atingir patamares melhores com a carga horária atual. Rondônia é o único estado brasileiro em que os professores são obrigados a ministrar 32 aulas semanais. Essa situação compromete significativamente a qualidade que se pretende. Caso a carga horária fosse menor, como está previsto na legislação nacional, os profissionais teriam muito mais tempo para planejar atividades, estudar e buscar novas metodologias que influenciem na busca por qualidade. Essas 32 aulas precisam ser repensadas, porque configuram um retrocesso.

 

Além disso, os professores são surpreendidos, todos os anos, com aquele monte de atividades que a SEDUC chama de “projetos”, mas que não contribuem em nada para melhorar a qualidade de ensino. Investir em professores significa criar uma carga horária humana, possibilitar que os profissionais consigam estudar e diminuir burocracias que são verdadeiros símbolos do arcaísmo educacional. Um estado que tenha como finalidade elevar os índices de qualidade precisar realizar concurso público. Atualmente a falta de concurso público na educação é um dos maiores problemas que o estado vive, porque os professores contratados pela via temporária, muitas vezes, são obrigados a atuar em que áreas que nunca foram formados, sob a ameaça de não serem contratados. Isso é péssimo!! A SEDUC está, há vários anos, fazendo um “estudo” para descobrir se precisa fazer concurso e até hoje não descobriu. Essa situação deveria ser uma prioridade na gestão de Albaniza Batista. Aliás, como professor, eu espero poder ter uma oportunidade para elogiar um secretário da educação de Marcos Rocha, porque os anteriores foram horríveis!! A nova secretária precisa ser a exceção. Neste caso, ser exceção significa ouvir os profissionais, construir caminhos de diálogo e conhecer a realidade.  A evolução da educação depende de atos concretos. A qualidade que todos buscamos não será atingida, se os profissionais não forem respeitados. Os discursos vazios do governo não produzem novos índices de qualidade… Tenho dito!!!

 

FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor da Rede Estadual e Jornalista

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