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Cânceres ginecológicos atingem mais de 30 mil brasileiras por ano

Os tumores podem acometer vulva, vagina, colo do útero, corpo do útero (endométrio) e ovários

Vírus HPV está presente no DNA de 99,7% dos tumores malignos. 

A cada ano, mais de 30 mil mulheres são diagnosticadas com câncer ginecológico no país, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). A descoberta tardia de alguns tipos, como o câncer do colo do útero, ocorre uma vez que os sintomas são ausentes ou inespecíficos na fase inicial do tumor e, grande parte da população ainda não faz os exames preventivos. 

Portanto, baseado na história da paciente, no exame clínico e na análise anatomopatológica é possível antecipar o diagnóstico e obter um tratamento mais efetivo. 

“A prevenção, em grande parte, depende da aplicação de medidas já conhecidas como a vacina contra HPV e o acompanhamento médico com a realização do Papanicolaou”, orienta o médico oncologista Glauco Baiocchi Neto.

Para Andréa Gadêlha, oncologista clínica, a importância de orientar a respeito da vacinação começa na infância e na adolescência, antes do início da atividade sexual, assim como a orientação sobre o uso do preservativo para o sexo seguro. “Alguns cânceres ginecológicos são passíveis de prevenção e de curabilidade, por isso é preciso investir na disseminação do tema”, completa.

Vacina contra HPV é medida preventiva do câncer. 

Cânceres 

Câncer do colo do útero: embora o tabagismo esteja relacionado a risco do desenvolvimento do câncer do colo de útero, ele está, na maioria dos casos, associado à infecção por papilomavírus humano (HPV), transmitido principalmente pelo ato sexual. 

Conforme destaca estudo do Lancet Oncology, o vírus está presente no DNA de 99,7% dos tumores malignos. O exame capaz de detectar as lesões pré-cancerosas causadas pelo HPV é a colposcopia, que consiste na análise microscópica de células do colo do útero. 

Já o diagnóstico definitivo ocorre por meio de biópsia (a retirada de uma amostra de tecido). Entre os tipos de tratamento do câncer de colo uterino estão a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. Os sintomas que podem estar relacionados a outros problemas, mas merecem a atenção da mulher são: secreção, corrimento ou sangramento vaginal incomuns; sangramento leve, fora do período menstrual; odor fétido; sangramento ou dor após a relação sexual ou exame ginecológico; dor pélvica. 

Em 2020, o Inca estima 16.590 casos novos. Tanto a vacinação como a realização do exame Papanicolau são ações preventivas complementares desse tipo de câncer, o terceiro tumor mais frequente em mulheres e o quarto em causa de morte no país.

Câncer dos ovários

A segunda neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas do câncer do colo do útero, incide majoritariamente em mulheres na menopausa. Outros fatores de risco são menstruação precoce (antes dos 12 anos) e menopausa tardia (após os 52 anos), histórico familiar de cânceres de ovário, colorretal e de mama, além de fatores genéticos (mutações em genes) e excesso de peso corporal. 

De acordo com o Inca, serão 6.650 novos diagnósticos este ano. O Papanicolau é incapaz de detectar este tipo de câncer, e os sinais e sintomas mais sugestivos geralmente são inespecíficos. Por isso a atenção da mulher deve ser redobrada para ocorrências como: inchaço e/ou dor abdominais, perda de apetite e de peso, fadiga, mudanças de hábito intestinal ou urinário. No caso de persistirem, procurar ajuda médica para uma investigação apurada incluindo exames clínicos, laboratoriais e de imagem. O tratamento de câncer dos ovários consiste em cirurgia e quimioterapia.

Câncer do corpo do útero ou do endométrio

É o sétimo tipo mais comum no Brasil, o câncer do corpo do útero pode se iniciar em diferentes partes do órgão, embora o tipo mais comum se origine no endométrio. Ele pode acometer qualquer faixa etária, mas possui maior incidência em mulheres com mais de 50 anos e no período da menopausa. Entre os fatores de risco potenciais estão: predisposição genética, excesso de gordura corporal, diabetes mellitus, dietas com elevada carga glicêmica, hiperplasia (crescimento) endometrial, falta de ovulação crônica, uso de radiação anterior na pelve, uso de estrogênio para reposição hormonal, primeira menstruação precoce, nunca ter engravidado ou ter tido filhos, síndrome do ovário policístico, e síndrome de Lynch. 

Este ano, 6.540 mulheres serão atingidas, segundo o Inca. O sinal mais comum de câncer de endométrio é o sangramento vaginal fora do período menstrual, sangramento vaginal em mulheres após a menopausa e dor pélvica. A detecção ocorre por meio de exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, e o tratamento consiste em cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Importante ressaltar que pesquisas recentes apontam o anticoncepcional como um fator de proteção para ajudar a reduzir a incidência do câncer de endométrio. Da mesma forma, a gestação, a prática de atividade física e a manutenção do peso corporal saudável são considerados coeficientes de proteção.

Câncer da vulva e da vagina

São raros, com desenvolvimento lento, os tumores da vulva e da vagina representam apenas 5% dos cânceres ginecológicos, ou seja, cerca de dois mil casos por ano, conforme estimativa do Inca. 

Ambos os tipos atingem mulheres acima dos 60 anos, e podem estar associados, além do HPV, fatores como imunossupressão, lesões da pele e vulvares pré-cancerígenas e tabagismo. Os sintomas variam de mulher para mulher e costumam aparecer em fases mais avançadas. Entre aqueles que devem ser observados no caso do câncer da vulva estão: nódulos de superfície áspera ou rugosa na vulva, coceira ou sensação de queimação, alterações na cor da pele dos grandes lábios e na superfície da pele da vulva, desconforto durante a relação sexual e sangramento fora do período menstrual. 

Os exames de vulvoscopia, que consiste em avaliar as estruturas e a pele do órgão, e a biópsia são os protocolos de investigação para o câncer da vulva. Os tumores iniciais são tratados cirurgicamente por meio da remoção do tumor e dos gânglios linfáticos da virilha, enquanto os tumores mais avançados podem ser tratados com quimioterapia e radioterapia, antes ou depois da cirurgia. 

Já as lesões pré-cancerosas, ou seja, a neoplasia intraepitelial vulvar, são tratadas com laserterapia, que elimina as células anormais. Já o câncer de vagina costuma apresentar sangramento após a relação sexual, dor pélvica ou na vagina, dificuldade ao urinar, constipação e corrimentos anormais. Entre os exames para detecção estão o Papanicolaou, a colposcopia e biópsias. O tratamento pode ser feito com cirurgia, laser, quimioterapia, radioterapia ou terapia tópica, dependendo do tipo e tamanho do câncer, estadiamento da doença e estado geral de saúde da paciente.

Câncer de vagina 

Costuma apresentar sangramento após a relação sexual, dor pélvica ou na vagina, dificuldade ao urinar, constipação e corrimentos anormais. Entre os exames para detecção estão o Papanicolaou, a colposcopia e biópsias. O tratamento pode ser feito com cirurgia, laser, quimioterapia, radioterapia ou terapia tópica, dependendo do tipo e tamanho do câncer, estadiamento da doença e estado geral de saúde da paciente.

Fonte: Folha Vitória

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