GREVE POLICIA CEARA – Cid Gomes é lesionado na tarde desta quarta-feira, por PMs grevistas em frente o Terceiro Batalhão da Polícia Militar, em Sobral. FOTO SOBRAL24 HS
O episódio envolvendo o senador licenciado Cid Gomes no
Ceará – baleado ao investir, com uma retroescavadeira, contra policiais que
faziam uma paralisação – revelou o extremo da tensão entre funcionários das
forças de segurança pública e o governo.
Outros casos de violência envolvendo uma possível greve de
policiais ocorreram no estado. Nesta quinta-feira (20), um policial foi detido
no Crato, suspeito de atear fogo em um carro. Segundo a Secretaria de Segurança
Pública e Defesa Social do Ceará, o ataque teria sido motivada por críticas que
a dona do veículo fez à paralisação da categoria. As informações são do jornal
“O Povo”.
Não são somente os policiais cearenses, entretanto, que
estão em conflito com o governo estadual (veja os detalhes da situação em cada
estado abaixo). De acordo com a Associação Nacional de Entidades
Representativas de Policiais Militares e Bombeiros Militares (Anermb), ao menos
outros dois estados têm situação crítica na relação entre os policiais e o
Executivo: a Paraíba e o Espírito Santo.
“Esperamos que, tanto na Paraíba quanto no Espírito
Santo, o governo abra um diálogo maior com a categoria, para que a situação não
chegue ao ponto do que ocorreu no Ceará”, disse o sargento Leonel Lucas,
presidente da Anermb, em entrevista à Gazeta do Povo.
Segundo ele, nesses estados, os governos não vêm negociando
com a categoria de forma adequada. Um exemplo de boa condução da situação, de
acordo com o sargento, é o estado de Minas Gerais. “O governo dialogou
muito bem e chegou a um bom termo com a tropa”, afirmou.
O estado, governado por Romeu Zema (Novo), concedeu reajuste
de 41,47% a policiais militares e bombeiros, escalonados até 2022. Durante a
tramitação na Assembleia Legislativa, o reajuste foi estendido para o
funcionalismo de todos os poderes.
Em outros estados, policiais fazem reivindicações, mas situação está controlada. Ainda de acordo com o presidente da Anermb, outros estados também têm policiais insatisfeitos e se organizando para fazer reivindicações ao governo. Por enquanto, Alagoas, Pernambuco e Piauí estão nessa situação.
“Não podemos ter governantes surdos. O governo do Ceará
não dialogou. O que tivemos foi um senador da República dando um mau exemplo e
houve uma reação. Não achamos que foi certo ter ocorrido o tiro, mas o que ele
fez também não foi correto”, opinou o sargento.
Veja os detalhes das manifestações dos policiais em cada
estado:
Paraíba
Policiais militares, civis e bombeiros do estado fizeram uma
paralisação na quarta-feira (19), entre as 12h e a 0h de quinta-feira (20). A
categoria negocia com o governo a incorporação de uma bolsa de desempenho ao
salário, além de um reajuste na remuneração. A proposta do Executivo é de
incorporar 30% da bolsa aos salários em um período de 60 meses, além de
conceder 5% de reajuste em outubro. A reivindicação da categoria é de que 100%
da bolsa seja incorporada em 36 meses, e de um reajuste de 24% em dois anos.
Também na quarta-feira (19), seis viaturas da Polícia
Militar e do Corpo de Bombeiros tiveram os pneus furados antes do desfile de um
bloco de Carnaval, em João Pessoa. O relato de um dos PMs é de que um grupo de
vinte policiais encapuzados fizeram a abordagem e danificaram os pneus.
A paralisação foi considerada ilegal pelo desembargador
Leandro Santos, do Tribunal de Justiça da Paraíba. A decisão do magistrado se
estende à possível deflagração de uma greve. Se a liminar for descumprida, o
Fórum das Entidades das Polícias Civil, Militar e Bombeiros terá de pagar uma
multa de R$ 500 mil por dia.
Espírito Santo
Na semana passada, policiais militares, civis e bombeiros
fizeram um ato em Vitória, capital do estado, pedindo reajuste salarial. Após o
ato, o governo recebeu representantes da categoria, mas não houve acordo.
Diante da possibilidade de novas manifestações, o Ministério
Público do Espírito Santo fez um alerta a associações e sindicatos, informando
que os policiais não devem realizar atos que violem a ordem pública.
As reivindicações dos policiais vêm pouco depois de horas de
terror no Espírito Santo. No dia 14 de fevereiro, Vitória teve uma série de
ataques de criminosos em avenidas importantes da cidade. De acordo com a
Polícia Militar, as ações são uma resposta dos grupos à ocupação do Complexo da
Penha pela corporação.
Alagoas
Em Alagoas, policiais civis fazem uma paralisação desde
segunda-feira (17), reivindicando reajuste de salários. O movimento está
previsto para terminar na sexta-feira (21), às 8h. Buscando solucionar o
impasse, o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) decidiu intermediar as
negociações entre o Sindicato de Policiais Civis (Sindpol-AL) e o governo.
Pernambuco
Na terça-feira (18), após uma reunião entre representantes
dos policiais civis e do governo estadual, a categoria decidiu não paralisar as
atividades até o dia 11 de março. Nessa data, ficou marcada uma reunião para
que o Executivo apresente uma proposta de melhoria no plano de carreira e de
reajuste salarial dos policiais.
“Estamos dando esse voto de confiança ao governo do
estado e não vamos paralisar no Carnaval”, disse o presidente do Sindicato
dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), Áureo Cisneiros, ao Jornal do
Commercio.
Piauí
Após um protesto de policiais na terça-feira (18), o
governador do Piauí, Wellington Dias (PT), assinou um decreto garantindo o
pagamento de diárias e horas extras por operações planejadas. A medida deve
beneficiar os policiais no Carnaval, já que, no período, os profissionais
trabalham além da jornada normal. (Fonte: Por Giulia Fontes – Gazeta do Povo)
