Com metade dos candidatos ausentes, Caiado, Santos e Cury concentram atenções em segurança, economia e educação

Na noite deste domingo (23), os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) reuniram-se nos estúdios da Rede Bandeirantes, em São Paulo, para o primeiro debate presidencial das eleições de 2026, caracterizado pelo confronto direto e por duras críticas às ausências de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo).
Púlpito vazio como protagonista
A ausência dos candidatos mais bem posicionados nas pesquisas dominou a atmosfera inicial e os bastidores do evento. Enquanto Romeu Zema formalizou antecipadamente que não compareceria por meio de nota oficial, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro decidiram pela ausência nos bastidores, sem enviar recusas formais prévias à emissora.
Diante das cadeiras vazias no palco, Ronaldo Caiado abriu o debate classificando os adversários como “fujões” que agridem a democracia por exigirem a obrigatoriedade do voto sem comparecerem para prestar contas.
Tolerância zero e confisco contra o crime
A segurança pública e a escalada da violência doméstica pautaram os momentos de maior tensão entre os debatedores. Confrontado com o registo de mais de 40 mil homicídios no ano anterior, Renan Santos fez uma manifestação breve convocando o esforço de todos para o enfrentamento da crise.
Ronaldo Caiado, por sua vez, apresentou a sua gestão em Goiás como modelo de sucesso, destacando o uso de ferramentas tecnológicas como inteligência artificial, botões de pânico e tornozeleiras eletrónicas para vigiar criminosos.
Em resposta, Caiado propôs uma reforma legislativa federal para decretar o confisco de bens dos agressores domésticos –com transferência de património para as famílias das vítimas– e o aumento da pena para 20 a 40 anos de prisão, estabelecendo a obrigatoriedade de cumprimento de 90% da sentença em regime fechado antes de qualquer benefício.
Juros baixos e incentivo ao microcrédito
No campo econômico, os candidatos divergiram sobre as estratégias para conter o endividamento e a inflação. Caiado defendeu a necessidade urgente de conter as despesas públicas e aplicar um choque de credibilidade para forçar a queda da taxa de juro a patamares de 6%, com a inflação fixada entre 3% e 4%.
Augusto Cury focou as suas propostas na reestruturação dos programas de transferência de renda e no fomento do microempreendedorismo. O candidato do Avante propôs que os beneficiários do Bolsa Família que obtenham emprego formal ou criem uma Microempresa Individual (MEI) mantenham o benefício por um período de transição.
Cury sugeriu também a divisão do BNDES em duas instituições –uma voltada para grandes corporações e outra para pequenos negócios– além de implementar uma “Escola do Empreendedor” e uma “Agência do Empreendedor” em cada comunidade, favela e escola pública do país.
Cury criticou as diretrizes cartesianas do Ministério da Educação (MEC) e propôs um modelo focado no desenvolvimento socioemocional e no acolhimento multidisciplinar para os 32 milhões de neurodivergentes do país.
Como medida de responsabilização, Renan Santos apresentou o projeto da Lei de Responsabilidade Gerencial. Pela proposta de Santos, prefeitos seriam impedidos de destinar verbas públicas a grandes shows de entretenimento caso o município não cumpra as metas básicas de alfabetização e desempenho educacional, sob pena de inelegibilidade dos gestores.
Trajetórias e ataques
Nas considerações finais, os candidatos reforçaram os seus perfis biográficos ao eleitorado. Ronaldo Caiado destacou os seus 40 anos de trajetória política limpa, livre de escândalos como o Petrolão ou rachadinhas, conclamando a população a rejeitar as opções ausentes.
Renan Santos relembrou o seu papel como articulador das manifestações de impeachment em 2016 e criticou duramente os projetos do PT e do PL, acusando-os de submeter a soberania brasileira a interesses de potências estrangeiras, além de desferir fortes ataques pessoais contra Lula e Flávio Bolsonaro.
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Renan Santos provocou Lula e Flàvio com fraldas na chegada ao debate
Karina Crisanto/Band.com.br
Caiado fala com jornalistas na chegada ao debate na Band
Renato Pizzutto/Band
Candidatos posicionados para o debate
O segundo candidato que chegou à emissora foi o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que também citou as ausências de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). “Infelizmente dois fujões não estão presentes”, disse Caiado.
Quando será o próximo debate eleitoral?
Serão três debates presidenciais antes do primeiro turno das Eleições 2026. Confira o cronograma:
- 14 de setembro: Debate organizado em formato de pool por um consórcio de veículos de imprensa que inclui CNN Brasil, SBT e revista VEJA.
- 27 de setembro: Encontro promovido pela Record.
- 1º de outubro: TV Globo encerra debates antes do primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro.














