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Estudo diz que IA do Google pode identificar câncer de mama melhor que humanos

3 minutos de leitura

O Google começou bem o ano de 2020, com uma conquista bastante sólida
na indústria da saúde: segundo estudo publicado da própria empresa,
publicado pela revista Nature, o projeto Deepmind AI, capitaneado pela
companhia de Mountain View e voltado a pesquisas em inteligência
artificial (IA), é mais exato na identificação de câncer de mama do que
os maiores especialistas na doença no mundo.

Segundo a pesquisa, em testes executados, o Deepmind trouxe “menos
resultados falso positivos, falso negativos, e foi de uma forma
generalizadas mais preciso” do que os métodos clínicos normais,
encontrando nódulos e manchas que especialistas oncológicos não
conseguiram identificar.

Aliviando o termo para os leitores menos iniciados: “falso positivo”
significa o indício de uma doença no exame, mas ela na realidade não
existe. O “falso negativo”, consequentemente, segue a linha oposta, ou
seja, a doença existe na pessoa examinada, ainda que o exame não a acuse
na primeira amostra. Pela conclusão da Nature, o Deepmind do Google foi
capaz de determinar a presença ou ausência do câncer de mama ainda que
os primeiros exames indicassem o contrário.

Breast examining

O estudo que concluiu a vantagem do Google é baseado em uma série de
testes reavaliados de mais de 76 mil mulheres no Reino Unido e outras 15
mil nos EUA. Ao comparar o trabalho da IA com o de especialistas
humanos, o Deepmind conseguiu reduzir o volume de resultados falso
positivos em 5,7% (EUA) e 1,2% (Reino Unido). Falso negativos também
apresentaram redução: 9,4% nos EUA e 2,7% no Reino Unido.

Diz o Google que a mamografia digitalizada é, hoje, o principal
método de identificação do câncer de mama – a grosso modo, é um exame de
raio-x do seio (ou dos seios) –, mas a identificação e diagnóstico de
câncer de mama é mais complicada, o que implica em um número mais alto
de resultados falso positivos ou falso negativos. Consequentemente,
resultantes do tipo podem atrasar o início do tratamento nas pessoas
acometidas pela doença.

A empresa ainda diz que o Deepmind teve menor acesso a dados do que
suas contrapartes humanas: a inteligência artificial não pôde, por
exemplo, levar em consideração o histórico dos pacientes e de suas
respectivas famílias, bem como quadros sintomáticos pré-diagnóstico. O
Google diz que, com o Deepmind, é possível adaptar o sistema em
diferentes sistemas de saúde, basicamente exemplificando que a IA pode
ser treinada com dados do Reino Unido e ainda ser eficaz nos EUA.

“Há sinais bem promissores de que o modelo tem potencial de ampliar a
eficiência e precisão dos programas de triagem, além de reduzir o
estresse e tempo de espera dos pacientes”, disse Shravya Shetty, chefe
da área técnica da divisão Google Health, em um post de blog. “Chegar
lá, no entanto, vai exigir uma pesquisa continuada, estudos clínicos e
aprovação regulatória para compreender e comprovar como sistemas de
software inspirados por essa pesquisa possam aprimorar a vida do
paciente”.

A boa notícia é que, ao contrário do medo dos mais incautos, esse
projeto não vai eliminar o profissional humano de oncologia, mas sim
servir-lhe de ferramenta mais precisa no diagnóstico e avaliação de
quadros cancerígenos.
Fonte: Canaltech

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