Rondônia, 20 de julho de 2024 – 14:43
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20 de julho de 2024 – 14:43

Papudskina de 11 de setembro de 2020

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ARROZ: IRRAZOÁVEL E RISÍVEL PARA OS CONSUMIDORES – Estamos acostumados a ouvir, desde criança, que o arroz e o feijão jamais devem faltar à mesa do brasileiro. A combinação desses dois cereais é essencial em nossa alimentação, não só pelo sabor ou riqueza de seus nutrientes, mas também por ser acessível mesmo às populações de baixa renda. Sim, isso até bem pouco tempo atrás, mas desde agosto o produto não para de subir e também está puxando a inflação de outros alimentos.
Só para se ter um exemplo, um pacote de cinco quilos, normalmente vendido a cerca de R$ 15, agora chega a custar o dobro desse valor ou até mais em alguns supermercados. Levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que a alta do arroz chega a 100% em 12 meses.
Apesar de o presidente pedir patriotismo aos donos de supermercados, não há solução à vista nos próximos meses. Bolsonaro disse que era necessário apelar ao patriotismo dos grandes donos de supermercados para manter na menor margem de lucro, mas donos de supermercados alegam que os aumentos são “provenientes dos fornecedores de alimentos, que são provenientes de variáveis mercadológicas como maior exportação, câmbio e quebra de produção”.
Para dificultar ainda mais a vida dos brasileiros, com a alta do dólar frente ao real, os nossos produtos se tornaram muito baratos para o mercado externo, o que torna as exportações bastante lucrativa para os produtores. Foi por esta razão que outros produtos igualmente importantes e essenciais à nossa cesta básica como óleo de soja, açúcar e feijão também não param de subir nos supermercados.
O arroz, contudo, extrapolou as expectativas mais otimistas dos produtores e pessimistas dos consumidores. O produto deve ter um aumento entre 100 a 120% até o final do ano em relação ao início deste ano. Em janeiro, era possível comprar cinco quilos de arroz nos supermercados de Cacoal a 13 ou 14 reais. Nesta semana, já vimos o produto sendo comercializado, nos locais com menor preço, a 20 reais o pacote de cinco quilos, mas há notícia de que já existe supermercado vendendo o cereal a 30 reais ou mais.
Com o isolamento, as famílias passaram a consumir mais cereal, num ano de menor oferta, então o preço foi subindo sem parar.

EXISTE SOLUÇÃO À VISTA? – Obviamente, em um país de livre mercado e com instituições democráticas, quem define os preços de quaisquer alimentos, bens ou serviços é o próprio mercado naquilo que convencionamos chamar equilíbrio determinado pela oferta x procura. Uma medida radical do governo, como o tabelamento de preços da cesta básica, pode até funcionar em um primeiro momento, mas depois torna-se um tormento para a população, uma vez que o produto some misteriosamente das prateleiras. Quem tem o produto, vendo que o preço está tabelado, o esconde para forçar o governo a rever sua política e podemos ter uma situação similar à que vive hoje a Venezuela, país governado por um regime de esquerda e que costuma ver a intervenção do Estado na economia e nos meios de produção como uma maneira de diminuir as desigualdades, mas que, no fundo, apenas aumenta o número de “iguais” na miséria.
A intervenção do governo pode existir, sim, mas não com o tabelamento. Ele pode, por exemplo, reduzir ou até zerar tarifas de importações que, no caso do arroz, é bastante significativa. Para se ter uma ideia, hoje se um atacadista quer importar arroz da Argentina, Paraguai ou Uruguai, paga uma Tarifa Externa Comum de 16%. Zerar essa tarifa poderia resultar em uma grande economia.

IMPORTAÇÃO DIFICULTADA – Com menos tarifas, é possível que o cenário melhore, mas nem tanto, pois com a pandemia o excedente de outros países que são grandes produtores, como Índia, Tailândia e Vietnã, houve um desabastecimento do mercado internacional. Esses países tiveram dificuldade ou pararam de vender seu produto no mercado externo, enquanto o Brasil exportou bastante entre maio e junho. Além disso, os países asiáticos pararam de exportar, e os Estados Unidos, maiores exportadores das Américas, estavam sem produto. Então, houve alta na procura pelo arroz brasileiro.

PREÇOS DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO – Apesar do preço dos alimentos serem os que mais assustam, nessa pandemia quem precisa construir está se deparando com um problema muito maior do que o aumento de preço: a falta de produtos. Aqui em Cacoal quem precisa comprar telhas de barros ou tijolos praticamente não o encontra. Mesmo que a pessoa tenha feito suas economias antes da pandemia e agora queira iniciar a construção de sua casa ou fazer aquela sonhada ampliação, tem dificuldades em encontrar produtos como telhas de barro e tijolos.
Aqui em Cacoal quem precisa de tijolos recebe a informação de que tem que encomendar o produto e esperar entre 30 a 45 dias pelo produto. Tem que pagar antecipado e contar com a sorte que o vendedor realmente consiga entregar no prazo. Obvio que os comerciantes aproveitam a situação e acabam subindo o preço de outros produtos. Enfim, meus amigos de Cacoal, de Rondônia e do Brasil: apertemos o cinto: há outros sacolejos que teremos de enfrentar este ano de 2020 além dessa pandemia maldita.

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