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Um pouco da história política recente de Rondônia (I): MDB – RAÍZES DESDE A LUTA DE CUTUBAS E PELES-CURTAS ATÉ 1978

Por Lúcio Albuquerque 

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Um pouco da história política recente de Rondônia (I): MDB – RAÍZES DESDE A LUTA DE CUTUBAS E PELES-CURTAS  ATÉ 1978

Beneficiado por raízes históricas das quase octogenárias disputas entre “cutubas” – ligados ao histórico cacique Aluízio Ferreira – e “peles-curtas”, Paulo Saldanha/Joaquim Rondon/Renato Medeiros, o MDB rondoniense, a menos de quatro meses de sua 11ª eleição estadual, pelo que se ouve dentro e fora da sede regional, “está à deriva”.

Um problema que, ao contrário do que se propor, vem acontecendo há alguns anos, e os números obtidos nas últimas eleições, pela seção local do partido criado pelo ato institucional nº 2/1965 quando, com raras exceções, os fundadores no então Território eram “cutubas”, provam que os  números têm razão.

O governador, nomeado pelo presidente da República por indicação do deputado federal em mandato, o primeiro, em 1947, Aluízio Ferreira, líder “cutuba”, era preciso ter muita coragem para ser de oposição.

“Hoje o partido perdeu o protagonismo”, disse influente membro, com vários mandatos exercidos desde a primeira eleição estadual e o que não é difícil ouvir, às vezes de forma diferente mas com o mesmo sentido, no prédio da Rua Elias Gorayeb, edifício dos “bons tempos” que a sigla viveu.

Pelo que se observa mais uma vez o MDB, que já elegeu quatro governadores (considerando Confúcio Moura em 2010 e 2014), vai para a disputa estadual sem “cabeça” e, também, sem um nome viável ao Senado.

CAMINHADA
Os “peles-curtas”, de onde se originaria o MDB, elegeriam dois dos cinco deputados federais (cada Território só elegia um deputado) entre 1947 e 1964, mas ganhou três vezes com Jerônimo Santana em 1970, 74 e 78, período em que o grupo volta a ter força política, e se estruturar melhor, a partir de 1970.

No período Rondônia tinha dois municípios e a Câmara de Porto Velho (o outro era Guajará-Mirim) era a voz dos moradores desde a capital do Território até Vilhena, o que só mudaria a partir de 1976 quando foram eleitos sete vereadores oriundos dos distritos da região sul rondoniense da BR-364 para a Câmara portovelhense.

Naquela três eleições (70, 74 e 78) Jerônimo, com um discurso voltado para o restabelecimento da garimpagem manual, que ele, como advogado, deveria saber, que a decisão de reabrir o garimpo independeria de deputado federal, agrupou os filiados ao MDB, então uma autêntica babel política que incluía de cristãos a comunistas.

Além do discurso contra o fechamento do garimpo manual Jerônimo também carregou contra governadores do período pós-1964, todos coronéis do Exército, sem habilidade com o trato político. Talvez única exceção dentre os nomeados o engenheiro Wadih Darwich tenha sido o único civil.

Independente dos resultados positivos que qualquer governador conseguisse, o discurso de Jerônimo e todos no MDB era um só, como em 1977, em entrevista ao jornal A Tribuna, dizia o então vereador Cloter Mota, comunista mas abrigado no MDB, e constituinte da 1ª Constituição estadual, “todos são coronéis desempregados”.

Jerônimo explorou o ressentimento que parcela importante da população local teve devido à extinção da ferrovia Madeira-Mamoré, com a culpa jogada na ação do 5º BEC, que pode ter cometido “pecados”, mas é preciso considerar que, no caso da ferrovia, o Batalhão já chegou com ela considerada extinta. Além disso, vivia-se um período de exceção, em que a ação política, mesmo que partida de um governador, tinha poucas chances de reverter decisões.

 

(*) Leia terça-feira o II capítulo de “Um pouco da história política recente de Rondônia”.
Lúcio Albuquerque – Repórter e pesquisador da história pós visita de Getúlio Vargas (1940

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