
Engana-se quem pensa que educação física está ligada somente a esporte ou recreação. A educação física vai muito além disso. Ela está ligada ao desenvolvimento físico, social e emocional de qualquer pessoa, contribuindo diretamente para formação de seu caráter.
Para as pessoas dentro do
Transtorno do Espectro Autista – TEA, a educação física é utilizada comoferramenta
fundamental no desenvolvimento de habilidades e de inclusão. Os exercícios
contribuem para vencer as fragilidades que apresentam (cada um em sua
intensidade) no equilíbrio, coordenação, flexibilidade, planejamento motor,
entre outros. Além claro, de contribuir imensamente para a questão das
habilidades sociais. A ausência de atividade física na rotina do autista pode
impactar na sua autonomia para realização de tarefas como caminhar, virar-se,
vestir-se, entre outros. A atividade física é indicada por neurologistas e
psiquiatras na maioria dos programas de tratamento para as pessoas com autismo.
Durante muitos anos as pessoas
que não se encaixavam ao padrão foram deixadas de lado, pois não atingiam o
desempenho se comparado aos demais. Os estudantes com deficiência sempre
fizeram e continuam, em grande maioria, a fazer parte deste processo de
exclusão.
Com isso, a educação física
inclusiva surge com o objetivo de que todos possam participar da mesma
atividade. Essa proposta, implica no
entendimento das especificidades de cada aluno e na flexibilização de recursos
e regras das atividades físicas. Isso envolve não só alterações nas práticas
físicas existentes, como também na criação de novas atividades.A inclusão ocorre efetivamente
quando o aluno com deficiência consegue participar das aulas com
todos os demais, e, para que isso ocorra é necessário que o profissional da
Educação Física esteja devidamente qualificado. Inclusão acontece através do
saber especializado. “Ainda temos muita dificuldade em encontrar educadores
físicos preparados para trabalhar com o autismo, assim como escolinhas de
natação, lutas, dança, entre outros, que aceitem nossos filhos”, relata
Sedilaine Marques, mãe de Joaquim – 7 anos.
Educação Física Escolar
Tendo em vista que, grande
parte das crianças e adolescentes no TEA não têm acesso a um tratamento
adequado, a profissionais devidamente qualificados e as horas de terapias
necessárias, a educação física escolar ocupa um papel fundamental no desenvolvimento
delas.
Todos os dias essas mesmas
crianças e adolescentes estão dentro das escolas e têm a possibilidade de
desenvolvimento (caso tenham a sorte de estar com um profissional qualificado e
interessado).
A incidência de autismo é de 1
para cada 59 crianças nascidas, logo, em todas as escolas existem pessoas com
autismo, com ou sem diagnóstico.
Diante dessa lacuna, Karina
Andrade, mãe de dois meninos dentro do TEA, criou um projeto para trazer
qualificação às famílias e profissionais de todas as áreas que atuam com o
autismo. Informações através do site: www.integrarautismo.com.br
Em Tempo
A Convenção Internacional sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência, documento elaborado pela ONU e que tem valor de emenda
constitucional, no Brasil, no parágrafo 5 (alínea d) de seu artigo 30, afirma:
Para que as pessoas com deficiência participem, em
igualdade de oportunidades com as demais pessoas, de atividades recreativas,
esportivas e de lazer, os Estados Partes tomarão medidas apropriadas para:
d)
Assegurar que as crianças com deficiência possam, em igualdade de condições com
as demais crianças, participar de jogos e atividades recreativas, esportivas e
de lazer, inclusive no sistema escolar;
