Rondônia, 21 de julho de 2024 – 08:59
Search
Anuncie aqui
Search
21 de julho de 2024 – 08:59

OAB-RO, 50 anos – A advocacia mudou. Direitos Humanos dão lições de vida e amadurecimento

Anuncie aqui
Diferenças de gênero, raça, etnia, idade, capacidade e sexualidade não interditam o pleno exercício da dignidade e da cidadania

 

A Comissão de Direitos Humanos da OABRO acompanhou e investigou aproximadamente duzentas suspeitas de violações, garantindo apoio e justiça às vítimas. Além disso, conduziu inspeções em instituições, entre as quais, o Centro de Correição da Polícia Militar e unidades prisionais, incluindo a Penitenciária Estadual Milton Soares de Carvalho, a Penitenciária Estadual Jorge Thiago Aguiar Afonso e o Centro de Ressocialização Suely Maria Mendonça.

Essas ações resultaram em projetos para melhorar as condições de reclusão social e promover a reabilitação.

As informações foram dadas pelo advogado Kelve Mendonça Lima ao encerrar seu mandato à frente da Comissão após uma gestão um ano e oito meses de liderança.

“Desempenhamos um papel ativo no Comitê Estadual de Prevenção e Combate à Tortura, na promoção dos direitos dos povos indígenas e na celebração dos dez anos das jornadas de junho”, comentou Lima.

Além disso, a CDH acompanhou e ofereceu orientação institucional em conflitos de terras no estado, buscando proteger os direitos das comunidades envolvidas.

“Esse período representou não apenas o crescimento da Comissão de Direitos Humanos, mas também o meu próprio crescimento pessoal. Foi uma jornada de aprendizado e amadurecimento ao lado deste trabalho incrível. Só tenho a agradecer”, destacou Mendonça Lima.

Advogados em defesa dos Direitos Humanos durante a gestão de Márcio Nogueira

Durante quase dois anos, a CDH resolveu denúncias que infringiam os direitos humanos; melhorou as condições das instituições penais; participou de comitês e eventos de conscientização, e acompanhou conflitos agrários.

“Kelve deixa um legado de compromissos.  (…) As conquistas alcançadas sob a liderança do agora ex-presidente representam um legado valioso, demonstrando a capacidade de efetuar mudanças na promoção da justiça e igualdade na sociedade”, afirmou o presidente da OABRO Márcio Nogueira.

Veja vídeo

 

Novo presidente trabalha desde menino

Luiz Teodoro, no plenário da OABRO: a emoção do “menino” que foi engraxate

Nascido numa família sem recursos, o advogado Luiz Carlos Teodoro chega, agora, à presidência da Comissão de Direitos Humanos. Recentemente ele obteve a carteira de advogado. Filho mais velho, começou a trabalhar como engraxate aos oito anos de idade para ajudar a mãe a cuidar dos quatro irmãos mais novos.

Essa experiência moldou sua determinação e despertou o sonho de se tornar advogado. Apesar das dificuldades, ele não desistiu, e conseguiu ingressar no ensino superior.

“Para estudar Direito, tive que trabalhar em dois empregos para pagar as mensalidades e garantir minha sobrevivência, muitas vezes sacrificando meu sono. Houve momentos de dificuldade, incluindo a necessidade de trancar a faculdade e insucessos no FIES. No entanto, com fé e determinação, retomei os estudos, concluí o curso de Direito e, após algumas tentativas, finalmente passei no exame da Ordem, levando meu caixote de engraxate no dia do meu credenciamento.”

 “A Advocacia mudou”

Simonetti emociona o plenário na leitura da Carta de Belo Horizonte

Belo Horizonte, 29 de novembro de 2023.

Senhoras, senhores

Vinte e nove de novembro de 2023. A advocacia mudou. A advocacia seguirá em transformação. Cada vez mais forte. Cada vez mais unida, valorizada e protegida.

Advogadas e advogados brasileiros se reuniram em Belo Horizonte, Minas Gerais, que se transformou, por decisão do Conselho Federal da OAB, na capital nacional da advocacia, para discutir assuntos relacionados ao tema central “Constituição, Democracia e Liberdades”.

Esta Conferência, o maior evento jurídico do mundo, foi pautada pelos valores contidos no artigo 133 da Constituição, que consagra a nossa inviolabilidade, essencialidade e indispensabilidade para o sistema de Justiça e para a democracia. Um texto que completou 35 anos — um marco do mais longo período democrático do País.

A advocacia ratificou seu compromisso em defesa do Estado Democrático de Direito, das garantias constitucionais e da defesa combativa das Prerrogativas da profissão.

Após a realização de cinquenta painéis, com debates profícuos, reunidos ao lado de 22 mil advogadas e advogados de todo o País, PROCLAMAMOS à sociedade:

I — Democracia, constituição e liberdade são valores históricos da advocacia brasileira. Repudiamos manifestações autoritárias e a violação de direitos por parte de quaisquer dos Três Poderes, sobretudo a promoção da nefasta cultura do arbítrio contra as prerrogativas de advogadas e advogados.

II — A existência do Judiciário e do Ministério Público independentes é uma conquista da OAB para o Brasil. Prosseguiremos atuando pela independência e sem permitir o abuso de autoridade.

III — O equilíbrio entre os Poderes e a sociedade civil é vital para o Estado Democrático de Direito. A OAB manterá seu papel de mediação, na condição de porta-voz da sociedade brasileira. Defendemos as instituições, mas nossa prioridade é a classe, e não mediremos esforços para defendê-la.

IV — Maior entidade civil do País e a voz do cidadão, a OAB tem obrigação de cobrar das autoridades e dos órgãos do Judiciário o respeito às leis e à Constituição, que não podem ser suplantadas por seus regimentos internos.

V — A OAB defende os Direitos Humanos, e prima para que diferenças de gênero, raça, etnia, idade, capacidade e sexualidade não interditem o pleno exercício da dignidade e da cidadania. Democracia pressupõe a inclusão em todas suas dimensões!

VI — Responsável pela educação jurídica no Brasil, a OAB reprova a implementação do curso de Direito à distância. Defendemos o fechamento dos cursos de direito que já se demonstraram inaptos a formar bacharéis com a mínima qualificação.

VII — Envidaremos esforços para unificar o sistema digital em todos os tribunais do País, para descomplicar as atividades cotidianas da advocacia, sobretudo em seus peticionamentos.

VIII — Exigiremos a participação da OAB na implementação de ferramentas de inteligência artificial pelos tribunais. Defendemos que a tecnologia não exclua o jurisdicionado do sistema de justiça!

IX — O que une as advogadas e os advogados do país é o clamor pelo respeito integral e intransigente das prerrogativas.

X — A dignidade profissional depende de remuneração adequada. Não abriremos mão do cumprimento da decisão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, que determina a aplicação literal do art. 85 do Código de Processo Civil (CPC) — importante conquista desta gestão! Por isso, não admitiremos retrocessos!

XI — A proteção das prerrogativas da advocacia é premissa fundamental da democracia. A nossa indispensabilidade e inviolabilidade são vetores da concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do acesso à justiça. As prerrogativas são condições indispensáveis para o pleno exercício do direito de defesa.  Sem as prerrogativas, os cidadãos não têm suas garantias fundamentais efetivadas.

XII — Por fim, exigiremos a efetivação do compromisso firmado nesta Conferência, de que as ações penais originárias sejam julgadas presencialmente, assegurando a sustentação oral em todos os tribunais — inclusive, no Supremo Tribunal Federal —, pois a sustentação oral é a expressão máxima da soberania popular no espaço judicial, assegurada pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Advocacia e da OAB.

A OAB é, permanentemente, a guardiã da Constituição, da Democracia e das Liberdades.

SIGAMOS JUNTOS! DE MÃOS DADAS!

Viva a advocacia brasileira!
___

Edição de vídeo: Raissa Dourado
Fotos: Assessoria OABRO

LEIA MATÉRIAS ANTERIORES

Inédito no País: Seccional da OAB nasceu antes do Estado e do Tribunal de Justiça

História do Direito no Brasil e resistência ao arbítrio inspiram a OAB em Rondônia

“Fui leiloado”, conta Miguel Roumiê, que seria desembargador

Débeis mentais eram presos e jagunços soltos

Juízes temporários desconheciam a região; Tribunal distante deixava Rondônia à própria sorte

 

 

Gostou? Compartilhe esta notícia!

Facebook
WhatsApp